OPINIÃO: Design do Cais do Porto – Importância Econômica, Social e Ecológica

Design do Cais do Porto – Uma Oportunidade Única

As pessoas se queixam que Porto Alegre oferece limitadas opções de progresso profissional, que os salários são baixos, que os filhos mudam para São Paulo ou para o exterior em busca de melhores oportunidades. Porto Alegre não existe no mapa global. As cidades mais importantes do planeta estão conscientes que hoje competem pela atenção e os limitados recursos mundiais. Políticos do mundo todo sabem do poder ecônomico e social que a arquitetura e paisagismo de prestígio têm.

Alguém consegue imaginar Sidney, na Australia, sem o Opera House? Porto Alegre precisa de um icone, o Laçador não é suficiente. Porto Alegre precisa do “Efeito Bilbao” como o causado pelo museu do Guggenheim desenhado por Frank Gehry. Atualmente, a construção de torres de escritórios e shopping centers na beira de rios de centros urbanos não é recomendada por experts no assunto. Um complexo menor, mais barato, green e de acesso público será muito mais benéfico economicamente, socialmente e ecologicamente para a cidade.

Haverá muita resistência por parte dos atuais selecionados para o projeto. E muito provavelmente nem toda a empresa de engenharia e construção nacional estará capacitada a desenvolver um projeto sofisticado de um Star Architect. Mas o esforço vale a pena. Segundo a forbes.com, o Guggenhein Bilbao, em plena crise turística mundial de 2002, atraiu para cidade 147 milhões de dólares. Com esse valor dá para construir um novo Cais do Porto a cada dois anos.

Tenhamos a humildade de reconhecer que nossa arquitetura regional não foi capaz, até o presente momento, de gerar um arquiteto mundialmente reconhecido. O desenvolvimento da cidade ao longo prazo deve ser colocado acima de quaisquer outros interesses.

Estamos na reta final e não podemos deixar passar essa oportunidade. Na verdade, a população têm hoje um poder de barganha muito maior do que antes. Os olhos do mundo se voltam para o Brasil pelos próximos seis anos. A cidade tem que estar pronta. O momento é propício que se exija o melhor do mundo do design para a capital gaúcha.

Uma concorrência de arquitetura internacional pode ser feita em alguns meses, há organizações experientes nesse tipo de evento. A proposta final arquitetônica e dos projetos técnicos hoje é bastante acelerada com o uso de sistemas de design integrado como Catia, que reduzem tempos de produção do projeto assim como a construção e, consequentemente, custos. O estádio olímpico Beijing National Stadium (Bird’s Nest) dos arquitetos Herzog & de Meuron foi desenvolvido desta maneira.

Relembrando Mario Quintana, a copa passará, os jogos olímpicos passarão e Porto Alegre passarinho. A cidade voltará à obscuridade, sem nenhuma razão mundial para ser visitada. Literalmente, ela terá perdido o bonde, sem saber quando ele voltará.

Cais do Porto

Sou de Porto Alegre e moro em Miami há oito anos. Tenho mestrado em arquitetura pela Florida International University. Julgando apenas pelas imagens de ZH online, Porto Alegre está perdendo uma oportunidade única na sua história. A proposta de design do Cais do Porto deve ser feita através de concorrência internacional aberta a arquitetos no mundo inteiro, e não por profissionais desatualizados e anônimos. É isso que Miami faz, não perderiam uma oportunidade com essa!

Um grande nome da arquitetura internacional torna uma cidade mundialmente conhecida da noite para o dia. Antes mesmo de ser escolhido o projeto, só o processo de submissão de design já tiraria Porto Alegre do mapa. A arquitetura de excelência tem o poder de revitalizar economicamente uma região. Veja o caso de Bilbao e o museu do Guggenheim desenhado por Frank Gehry.

O projeto proposto é fraquissimo, tímido, conservador e o paisagismo é primario. As torres são cópias maquiadas do prédio do centro administrativo (CAERGS). Simplesmente um desastre em termos de arquitetura de ponta.

Uma concorrência de proposta de design pode ser feita em menos de dois meses, e POA teria o mundo inteiro de olhos no Guaiba. Centenas de propostas, as mais criativas estariam disponíveis. Envio abaixo dois links onde maiores informações podem ser obtidas em como organizar um evento desta natureza. Ainda há tempo de se corrigir o erro.

O Governo do Estado e o Governo municipal precisam receber informação imparcial que o projeto proposto está muito abaixo do nivel da arquitetura atualmente proposta no resto do mundo.

Abaixo segue a última concorrência internacional feita em Miami por um grupo independente. Concorrências similares são feitas pelos órgãos públicos.

http://www.flickr.com/photos/dawntownmiami/sets/72157622692654720/

Organização responsável por essa concorrência – Dawntown Miami.
http://dawntown.org/about/

Por Adriana Schonhofen Garcia, Miami, 05/Julho/2010

Adriana é Mestre em Arquitetura pela Florida International University Miami, FL; Mestre em Ciência da Engenharia, pela UFRGS, Porto Alegre; Bacharel em Engenharia Civil pela UFRGS, Porto Alegre, e Técnica em Edificações pela Escola Técnica Estadual Parobé, Porto Alegre.



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, Opinião, Projeto de Revitalização do Cais Mauá

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9 respostas

  1. http://WWW.DAWNTOWN.ORG

    Nova competicção de desenho 2010!

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  2. Rogério, ela disse que: “Atualmente, a construção de torres de escritórios e shopping centers na beira de rios de centros urbanos não é recomendada por experts no assunto. Um complexo menor, mais barato, green e de acesso público será muito mais benéfico economicamente, socialmente e ecologicamente para a cidade”…. Isso está me cheirando como se preferisse um parque ao invés de prédios que possam virar a ser hoteis ou escritórios!

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  3. @Muller: mas essa arquiteta criticou a altura das torres? Não vi nada sobre isso. Ela criticou a arquitetura das torres.

    Mas de qq modo, que eu saiba, o projeto final nem foi apresentado ainda, ou foi?

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  4. Sra. Governadora, que tanto admiro, Sr. Prefeito, que tem se mostrado muito competente nesse pouco que está a frente da Prefeitura,
    peço encarecidamente, em relação a esse projeto, que olhem com cuidado, carinho e perspectiva de tornar Porto Alegre um marco para o turismo do país.
    Precisamos de algo grandioso ali, do ponto de vista arquitetônico, cultural e empresarial (lucro)!!!
    Grato pela atenção.

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  5. Por favor, este texto precisa chegar urgentemente às mãos da governadora e do prefeito.

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  6. Adorei este post!

    Era o que eu queria ouvir de alguém que entende de arquitetura.

    Também achei o projeto do cais de Porto Alegre muito tosco e pobre. Mas sempre que alguém aparece para pedir mais beleza num projeto desses, já é lascado pelos bairristas. Prova disso é a Martha Medeiros, que certa vez escreveu que nossas praias precisavam de mais glamour… choveu cartas criticando sua crônica.

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  7. Realmente, Porto alegre precisa tomar o cuidado de nao investir em um projeto meia boca, que nao coloque nossa cidade no roteiro internacional do turismo após a Copa.

    Muito interessante a análise feita nesse artigo.

    Precisamos abrir nossa mente ao novo, ao que trará frutos a longo prazo, nao se preocupando apenas com a Copa, que passará, e passando sem deixar um legado de nada quase servirá!!!

    Reflitamos, nós e nossos políticos …

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  8. Parece ser coisa de mulher não poder construir alto a beira de água, em Barcelona egueram dois prédios de 154m, nas principais cidades do mundo os prédios ficam mais altos, ate nas cidades européias, vide Londres, Frankfurt, e até a conservadora Viena tem prédios altos a beira de seu rio! Acho q o alto bem planejado se torna muito mais impactante aos olhos…, projetos mais baixos ja temos suficientes para a cidade,,,quem sabe seja essa a única oportunidade de construir algo mais impressionante tb em altura!

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  9. Tem toda a razão. Só nos resta aplaudir…
    Alguém tem os contatos certos na ZH e Correio do Povo pra mandar esse texto? As pessoas precisam ler isto.

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