Famílias se apegam à Chocolatão

Um impasse pode comprometer a remoção das 200 famílias que vivem na Vila Chocolatão. Alguns moradores mostraram-se contrários à saída da área do Centro para um loteamento localizado na zona Norte. A Associação dos Moradores da Chocolatão pretende realizar uma assembleia nos próximos dias com as famílias para discutir o assunto e saber o número de descontentes com a saída. A vila fica em uma área ao lado do prédio da Receita Federal, na avenida Loureiro da Silva, e foi ocupada há cerca de 20 anos.

Moradores mantêm a expectativa de ficar na vila por sua proximidade com o Centro Foto: Mateus Bruxel - CP

Segundo o presidente da associação, Adenir Rosa, a mudança pode comprometer a vida das pessoas que têm seu sustento na reciclagem de lixo. Outro problema citado pelo líder dos moradores é que atualmente existem 200 famílias na vila, sendo que o projeto da prefeitura é para 181 casas.

Para a moradora Tânia Regina Silva, a maior preocupação é a distância do loteamento até o Centro. “Aqui temos acesso aos serviços que precisamos, como hospitais. Imagina se tivermos que pagar passagem para vir da zona Norte”, comentou ela, que reside com o marido e os três filhos. A moradora disse ainda que outro receio é que a prefeitura não disponibilize a estrutura necessária, como creche e galpão para a reciclagem de lixo.

O loteamento fica na avenida Protásio Alves e estará concluído no final de novembro. A remoção está prevista para começar em dezembro. No local, são erguidas 181 casas populares. Para garantir o melhor aproveitamento da área, serão 102 sobrados, 78 casas e uma residência adaptada para pessoa com deficiência. A infraestrutura, como a rede de saneamento básico, já foi concluída. Nesse projeto, serão investidos R$ 6 milhões.

O diretor-geral do Departamento Municipal de Habitação (Demhab), Humberto Goulart, confirmou que o número de casas não contemplará todas as famílias que residem atualmente na Vila Chocolatão. “O projeto teve como base as famílias que residiam no local há um ano e, nesse período, houve o aumento de moradores. O excedente, portanto, será remanejado para outro conjunto habitacional da prefeitura”, garantiu ele. Goulart também afirmou desconhecer o movimento de moradores contra a remoção. “A transferência das famílias não está sendo imposta. Ela vem sendo preparada há mais de um ano por uma equipe social que presta todos os esclarecimentos necessários”, disse.

Correio do Povo



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9 respostas

  1. Poizé…
    Povo que se matou estudando, que nem sempre tem uma boa renda tem que se matar pra comprar um ap ou alugar, e quem nao estuda, as vezes nem trabalha, ta ali ganhando moradia.

    A por favor, esse papinho de que não teve oportunidades é o que deixa bandido solto na rua.

    Meu deus, vão dar uma casa pra eles no moinhos de vento da qui a pouco.

    Pode por pra morar no quinto dos infernos que vão ter lixo pra catar na rua (outra coisa lamentavel, fazer pessoas mecherem nos lixos dos outros)… mas por favor…

    Da um terreno pra eles construirem com o que tem nas casas, criarem barracos, mas ficar dando casa de graça…

    Pow, nos matamos pra manter esse ap em que moro, e o outro vem dizer que eu tenho vida boa.

    Trabalho todos os dias pra ganhar um lixo de dinheiro, pego onbus normalmente lotado, tenho que aturar umas véia arrogante que pegam lugar no horario de pico, me empurram e quase me deurram desesperadas pra pegar lugar no onibus, tenho que aturar véio discutindo, trabalho o dia todo pra ter que dar um lugar pra um idoso que não paga sentar no lugar.
    Não sou contra, concordo, eles merecem preferencia, não precisam pagar, mas porra, no horario de pico?
    Depois ainda tenho que estudar, ando me alimentando mal, esses tempos me machuquei e não conseguia nem ficar de pé de tanta dor… e tenho que aturar isso..
    Mais da metade do meu salario vai em impostos, EU, não tenho condições de alugar um ap pra mim, por que não me dão uma casa?
    Ta louco… de preferencia em ipanema, 3 dormitorios, suite..

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  2. Qual a diferença entre eles e a gente?
    Nenhuma!

    Eu trabalho, estudo, e não tenho casa própria!
    Como faço pra conseguir uma aí com o governo???

    Caramba!!!

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  3. Os traficantes também não gostam quando tem de sair do centro de Porto Alegre e do grande mercado consumidor que é a Cidade Baixa.

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  4. na verdade, o que os moradores da vila menos tem é uma “vida fácil”. Esse é o tipo de frase vinda de quem realmente tem “uma vida fácil”. é simples falar da suposta falta de interesse dos outros quando se vem de uma estrutura social totalmente diferente e com certeza bem mais privilegiada.
    essas pessoas trabalham, e embora para muitos, pelo jeito, “catar lixo” não seja considerado um trabalho, é o que as sustenta. e esse trabalho fica muito prejudicado quando jogam as pessoas para tão longe do centro. mais que trabalho, parte daquelas pessoas estudam nas redondezas, utilizam de serviços do centro, enfim, moram ha muitos anos na área. e o medo delas é legítimo, já que outros reassentamentos da prefeitura foram muito mal feitos: construíram as casas e não se importaram em prover algum instrumento de geração de renda para as famílias, que ficaram a quilometros do centro, sem transporte ou acesso a creche, hospital, etc.
    o reassentamento tem de ser feito, é claro, mas não é simplesmente uma “mudança de casa” para essas pessoas.
    concordo com o dito de que ha outros mercados de trabalho para essas pessoas, e provavelmente é bem melhor do que a ocupação que elas tem hoje. mas ressaltando, é simples enxergar e teclar sobre isso da nossa posição. talvez um programa que encaminhasse essas pessoas para outras profissões seria bem-vindo nesse processo de reassentamento.
    vale lembrar que um dos deveres do governo é prover moradia adequada e condições de uma vida digna para essas pessoas. Absurdo total é o fato de que raramente o governo faz isso corretamente.

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  5. na verdade, o que os moradores da vila menos tem é uma “vida fácil”. Esse é o tipo de frase vinda de quem realmente tem “uma vida fácil”. é simples falar da suposta falta de interesse dos outros quando se vem de uma estrutura social totalmente diferente e com certeza bem mais privilegiada.
    essas pessoas trabalham, e embora para muitos, pelo jeito, “catar lixo” não seja considerado um trabalho, é o que as sustenta. e esse trabalho fica muito prejudicado quando jogam as pessoas para tão longe do centro. mais que trabalho, parte daquelas pessoas estudam nas redondezas, utilizam de serviços do centro, enfim, moram ha muitos anos na área. e o medo delas é legítimo, já que outros reassentamentos da prefeitura foram muito mal feitos: construíram as casas e não se importaram em prover algum instrumento de geração de renda para as famílias, que ficaram a quilometros do centro, sem transporte ou acesso a creche, hospital, etc.
    o reassentamento tem de ser feito, é claro, mas não é simplesmente uma “mudança de casa” para essas pessoas.
    vale lembrar que um dos deveres do estado é prover moradia adequada e condições de uma vida digna para essas pessoas. q

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  6. Exatamente, Rafael. Só para exemplificar: segundo o sindicato da construção civil de Porto Alegre, o setor trabalha a “pleno emprego”, ou seja quem busca emprego na construção arruma na hora e, se não tem formação alguma, o próprio sindicato presta gratuitamente cursos de qualificação na área. Segundo conta, ainda, muitas obras da cidade estão atrasando por falta de mão-de-obra, que tem de ser buscadas em outra regiões do RS e do Brasil.

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  7. Absurdo total!

    Quem trabalha e paga impostos não ganha casa de graça e muitas vezes mora bem distante do centro e de qualquer serviço público.

    Está na hora do Estado parar de passar a mão na cabeça dessas pessoas (que se dizem injustiçadas). Tem trabalho de sobra hoje em dia. É só ler jornais e verificar, por exemplo, que empresários reclamam de falta de mão de obra em áreas que não exigem muita escolaridade (tal como construções).

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  8. Que vida facil… invade um terreno numa area nobre, fala que ali é um bom póint por que ajuda com seu trabalho e fica com a terra.

    haahaha

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  9. De graça, nem casa própria!

    Meu Deus, quanta miséria e ignorância humana.

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