Falta cultura de estética a Porto Alegre

Porto Alegre se ressente da falta de uma cultura de estética, na opinião do arquiteto Marcelo Allet, coordenador das diretrizes para o uso da orla do Guaíba entre a Usina do Gasômetro e o estádio Beira-Rio, entregues ao prefeito José Fortunati.

Camelódromo de Porto Alegre. Foto: Ricardo Stricher

Esta pode ser a explicação para recentes intervenções que enfeiaram a cidade como o caixão do Camelódromo. Ele vem se mostrando muito útil, mas é uma excrescência do ponto de vista do paisagismo, como são algumas passarelas e viadutos. A proposta para a orla teve em conta isso. Além de reconectar o território ao Guaíba e criar equipamentos de animação urbana, ela sugere a implantação de elementos de paisagismo.

Um túnel sob a Beira-Rio  

A proposta do plano de ocupação da orla do Guaíba manteve o projeto original do túnel de pedestres para a travessia da avenida Beira-Rio (então dique), previsto pelos arquitetos Ivan Mizoguchi e Rogério Malinsky na implantação do Parque Marinha do Brasil para o espaço cívico com espelho d’água. As demais travessias terão que ser feitas por cima, via passarelas (com design diferenciado).

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Categorias:Arquitetura | Urbanismo, ORLA, Parques da Cidade

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10 respostas

  1. E a estátua de Elis Regina? Nem foi citada.

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  2. Túnel em parques, moradia de mendigos.

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  3. Eu confesso que não entendi o motivo para o projeto prever um túnel de pedestres sob a beira-rio e as demais passagens como passarela. Se vocês repararem no relevo do local, verão que é muito mais fácil construir um túnel, pois a beira-rio está alguns metros acima do nível do Parque e da “praia”.

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  4. Estou adorando ler o nível dos comentários.

    Realmente, é uma tristeza ver que nossa cultura não avança. Nunca se busca um entendimento. Ou se é contra ou se é a favor.

    Também acho o camelódromo é uma aberração. Espero que as novas obras públicas não tenham o mesmo fim. Geralmente fazem um belo projeto no papel, mas quando vira algo concreto, fica bem diferente…

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  5. O comentário do Jorge é inteligente, e bem humorado (o do “woodstock gaudério” é perfeito!). Claro que a avaliação de obras de arte é algo muito subjetivo, sujeito a uma grande diversidade de abordagens e opiniões. Durante uma bienal, por exemplo, vi vários quadros pendurados numa parede; eles mostravam fios idêntico a pentelhos, colados com uma substância que lembrava o esperma. Sei que isso é arte, mas não sou obrigado a gostar. Achei ridículo. Outra manifestação importante que vi aqui foi aquela que se referiu ao maniqueísmo (bem/mal, frio/quente, favor/contra, preto/branco, +/-, gremista/colorado, maragato/chimango e assim por diante). Sem dúvida, é o que caracteriza nossa cultura bipolar e inviabiliza qualquer discussão produtiva. Abraços, Hermes.

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  6. E o que dizer do famigerado “anfiteatro Pôr-do-Sol”, que mais parece um guindaste de containers? Como é que não internaram o(s) arquiteto(s) que gestaram aquela aberração? Aliás, aquela área da Privíncia é mesmo um circo dos horrores: logo adiante, o monumento das cuias (ou têtas, cf. a visão de quem o aprecia), depois nosso woodstock gaudério, com a apologia do barro, bosta e bombacha, e por fim uma “ponte” enferrujada, cuja utilidade até hoje é um (para mim) um mistério: seria uma passarela para suicidas? bungee-jumping de an.. – oops – pigmeus? E para coroar o roteiro, o famoso bar flutuante adernado, único no mundo, segundo minhas pesquisas. Porto Alegre é demais!!

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    • Jorge, concordo com praticamente tudo que falaste, com exceção de um ponto: o monumento chamado “Super-Cuia”, de autoria do gaúcho Saint Clair Cemin, reconhecido artista plástico contemporâneo, radicado há anos nos Estados Unidos, ao meu ver é uma bela obra de arte. Não acho conveniente nos referirmos de forma pejorativa a tão interessante obra de arte. O problema, na verdade, reside no local onde ele foi colocado e a forma como foi fixado neste local. 4 estacas de madeira, daquela forma, é um absurdo. Eles (a prefeitura) simplesmente desvalorizaram a obra de arte ao extremo. Ficou horrivel. Ela teria que estar sobre um pedestal único, no mínimo de granito, possivelmente sobre um lago, ou espelho d’água. Nos demais itens, foste perfeito!

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  7. Tal é o nível de restrição para grandes investimentos em Porto Alegre, bem como a difamação desses projetos por grupos de radicais, que a questão estética fica em segundo plano.

    Aqui, não se consegue chegar a esse nível de debate, até porque a discussão nunca passa do A FAVOR ou CONTRA.

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  8. Túnel para pedestres é fria. Em qualquer cidade brasileira, tende a virar abrigo de mendigos.

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  9. Tive a oportunidade de contribuir, quanto aos interesses da navegação, na discussão desse projeto da SPM na área do espelho d’água do Parque Marinha do Brasil. Recebi os arquitetos da PMPA aqui na SPH, analisei o projeto e manifestei minha opinião de que o projeto não interferiria com os canais de navegação. Nada a opor, portanto, quanto ao interesse hidroviário. Também concordo que o Camelódromo é uma aberração estética, um verdadeiro “caixão”, que enfeiou mais ainda aquela área do centro da cidade. Certas obras fazem mal à saúde …

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