ENTREVISTA COM GIOVANNI LUIGI “Não entregaremos o estádio”

Giovanni Luigi

O presidente Giovanni Luigi vive sob pressão nos últimos dias. A apreciação da reforma do Beira-Rio no Conselho, segunda-feira, tira o sono, faz os dias mais longos e tensos. Luigi entende que o modelo de autofinanciamento, arquitetado pela gestão anterior, de Vitorio Piffero, tornaria o clube inviável. Obrigaria a tirar dinheiro até do futebol. Em um cenário mais aterrorizante, ele teme que a Copa pare na Arena do Grêmio e alerta: o momento é grave. Ontem à tarde, no Beira-Rio, Luigi recebeu ZH. Confira trechos.

Zero Hora – O ex-presidente Vitorio Piffero afirma que o Inter deixaria de arrecadar R$ 1 bilhão com a Andrade Gutierrez. Isso procede?

Giovanni Luigi – Não. Um volume deste tamanho só seria alcançável se os novos produtos (suítes, camarotes e estacionamento) fossem locados os 365 dias do ano, a partir de agora e durante 20 anos. Algo que nunca ocorreu no Beira-Rio.

ZH – Quanto seria a arrecadação com reforma pelo formato de parceira?

Luigi – Para começar, não ficaríamos com dívidas. Não entregaremos o estádio, como andam dizendo. A Andrade Gutierrez ficaria com até 12% da capacidade de assentos do Beira-Rio. Na Alemanha pós-Copa, por exemplo, os estádios-sede tiveram média de 65% de aumento de arrecadação. A melhoria da infraestrutura trouxe crescimento de receitas, venda de ingresso e consumo nos estádios. Quanto deixaremos de arrecadar se perdermos a Copa?

ZH – Se a parceria for reprovada, como serão dadas garantias para a Fifa?

Luigi – Tudo leva a crer que chegará o momento em que seremos descredenciados da Copa. O assunto já era tratado na gestão Vitorio Piffero. Ele escutou o pedido de garantias da Fifa, que aguarda desde 14 de julho do ano passado. Em 20 de janeiro, me reuni com o LOC (o Comitê Organizador Local da Fifa) e, quando falaram sobre as garantias, pedi prazo de 40 dias. O LOC acompanha nossa situação pela internet. Se não houver decisão logo, chegará o dia em que eles dirão: “Deu pra ti”.

ZH – O senhor autorizou que a social começasse a ser derrubada em dezembro, durante a transição?

Luigi – Estávamos em Abu Dhabi quando eu, Luís Anápio Gomes (atual 1° vice) e Piffero nos reunimos (no dia 11/12/2010). Fomos pedir ao Piffero que as obras não começassem para avaliar melhor o quadro. Piffero nos disse que se elas não se iniciassem, atrasaria o cronograma. E me perguntou: “O risco é de vocês. Vai atrasar a obra para a Copa. Você assumirá o risco do atraso”. Respondi: “Bom, se vai atrasar, pode fazer”. As obras começaram no dia seguinte.

Zero Hora



Categorias:COPA 2014, Gigante para Sempre (Beira Rio)

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5 respostas

  1. Se a diretoria colorada ficar se desentendendo para ver quem vai lucrar mais com os “puxadinhos” até 2014 vai ser a vez do Grêmio sediar uma copa. Na copa de ’50 o inter chegou a sediar alguns jogos nos eucaliptos.

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  2. Pensei que o inter fosse uma instituição séria, mas pelo jeito voltou a ser (ou ainda é) um clube de futebol tipicamente brasileiro.

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  3. Quem garante que correndo o bicho pega ?

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  4. Essa entrevista do Luigi me lembrou aquele famoso ditado: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come rsrsrs.

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  5. Ou seja, vêm enrolando a FIFA desde julho do ano passado.

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