Temos direito a explicações!

Ex-diretor do Internacional cobra construtora por assinatura do contrato do Beira-Rio

Imbróglio com empresa deixou obras do Beira-Rio abandonadas (crédito: Arquivo)

A população gaúcha e a torcida do Internacional, em particular, acompanham, incrédulas, o interminável imbróglio em que se transformou a formalização da parceria entre o clube e a construtora Andrade Gutierrez. Já não são mais aceitáveis as justificativas e as explicações – ou, mais precisamente, a falta delas – para as sucessivas postergações na assinatura do famoso contrato e a retomada das obras.

A posição da AG, negando-se em oferecer informações sobre o tema, é desrespeitosa, beirando a arrogância, não só para com o Internacional e seus torcedores, mas, também, para com os gaúchos, em geral. Vale lembrar que a Copa do Mundo 2014 é uma ação oficial de governo, beneficiada com investimentos públicos e isenção de impostos. A construtora deve, sim, explicações e prestação de contas de suas intenções, iniciativas e cronogramas ao Internacional, ao governo e ao público. A postura da empresa dá abrigo ao conjunto de dúvidas e boatos que proliferam na população. Já não se tem certeza sobre as suas reais intenções e a seriedade na condução do negócio. A omissão de seu representante em Porto Alegre – alegadamente por não estar autorizado a manifestar-se – deveria ser contraposta com a exigência, pelo Internacional/governo, da presença de um interlocutor habilitado, então, a falar claramente em nome da AG.

O Rio Grande do Sul e o Internacional já foram severamente prejudicados pela forma com que a modernização do Beira-Rio vem sendo conduzida. A exclusão de Porto Alegre como sede da Copa das Confederações; o limitado número de jogos na Copa 2014, alienada como sede das partidas nas fases finais; as perdas do marketing do clube pela indefinição das obras no estádio – você compraria, hoje, a camiseta “Beira-Rio, a Copa é aqui!” ? – são alguns exemplos disto. Sem considerar o claro dano que a imagem do Internacional vem sofrendo com a longa paralisação das obras e a indefinição da situação. Estado e Internacional tornaram-se reféns da construtora.

“Vale lembrar que a Copa do Mundo 2014 é uma ação
oficial de governo, beneficiada com investimentos
públicos e isenção de impostos.
A construtora deve, sim, explicações e prestação de contas
de suas intenções, iniciativas e cronogramas
ao Internacional, ao governo e ao público”

Não tenho dúvidas de que, tecnicamente, a viabilidade das obras no, agora, exíguo prazo disponível está garantida. O uso das soluções industrializadas com concreto pré-fabricado nas arquibancadas e estrutura metálica na cobertura permitem que – com adequado aporte de recursos – se cumpram os prazos. O ponto crítico poderá ser o fornecimento e a montagem do revestimento sintético, sequer contratado com fornecedores internacionais, que detêm patente desta tecnologia.

Entretanto, um aspecto merece atenção e o nosso alerta. Empreiteiras são especialistas em apertar cronogramas gerando dificuldades e alegados “imprevistos” para pressionarem governos e contratantes na obtenção de aditivos; liberação de verbas ou financiamentos com vantagens. Orçamentos crescem muito em nome de alegados fatos novos na obra. A intervenção em uma obra existente como o Beira-Rio é um prato cheio para que a história se repita, sobretudo quando se tem urgência em concluir a obra. Criam-se dificuldades para colher facilidades! A reforma do Maracanã, também com a participação da AG, é um testemunho disso. O Inter e o RS precisam estar atentos.

Parece fundamental que a torcida colorada, suas várias correntes políticas, nossos governantes e os diferentes segmentos da sociedade – todos atingidos por uma eventual exclusão do RS como sede da Copa 2014 – precisam se unir apoiando a direção do Internacional e cobrando uma posição pública da construtora Andrade Gutierrez. A empresa não pode tratar a população gaúcha como fantoches, tem compromissos públicos assumidos com o empreendimento desde que apresentou proposta para a realização das obras. Sua posição omissa e titubeante vem causando vários prejuízos à comunidade rio-grandense e precisa ser responsabilizada por isso. Nós merecemos explicações claras!

Portal 2014 – *Felipe Brasil Viegas

*Felipe Brasil Viegas é engenheiro civil, ex-diretor e ex-conselheiro do Internacional. O artigo foi originalmente publicado no jornal “Zero Hora”.



Categorias:COPA 2014, Copa das Confederações 2013

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23 respostas

  1. O Inter tem muita culpa no cartório. Pensou que teria condições de bancar a reforma sozinho e viu que não tinha “pernas ” para tamanha tarefa. Só depois entrou a AG.

    O que se vê hoje é reflexo de uma sequência de erros.

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  2. Se a AG aceitou fazer a obra, a responsabilidade e’ toda e esclusivamente dela. So’ que essa e’ a questao, quem e’ o culpado, Inter ou AG? Nao temos informacoes suficientes para culpar nenhum. Na minha opiniao e’ o Inter por nao ter ido com uma construtora Americana,( eles inventaram construcoes deste tipo) nao existiria este problema, o projeto seria 1000 X melhor e ja estaria terminando, agora se pintaram no canto sem saber oque fazer nem para onde se virar. Independente do que resolvam, sera RUIM, comecaram tarde, entao cortarao “cantos” sera tudo as precas e todos ja sabem como estes projetos terminam !!! MERDAAAAAAAAAAA

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  3. Grande Felipão, baita professor.

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