Para EPTC, trânsito da Capital terá fluidez por duas décadas

MARCELO G. RIBEIRO/JC

O trânsito de Porto Alegre deve suportar mais 20 anos antes que sejam necessárias medidas restritivas, como o pedágio urbano e o rodízio de placas. A estimativa é do diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Vanderlei Cappellari. “Os investimentos, incluindo a instalação dos Bus Rapid Transit (BRT) e do metrô, garantem uma circulação adequada sem intervenções restritivas. As restrições pontuais, sim, são necessárias, mas são medidas que já tomamos há muito tempo. Estou convencido de que o metrô vai requalificar a zona Norte, vai transformar a cidade”, diz ele.

Cappellari afirma que, além das grandes obras, há investimentos contínuos para amortecer o impacto do crescimento da frota de automóveis em Porto Alegre – a EPTC calcula que, em 2011, o número de veículos circulando nas ruas cresceu 8,5%, percentual que será repetido em 2012. Esses investimentos são voltados para o monitoramento e o gerenciamento do trânsito através de sistemas que analisam o tráfego e regulam o tempo das sinaleiras.

Pelo menos três sistemas desse tipo estão em fase de testes pela EPTC, que também projeta a reestruturação da sala de controle, onde o trânsito é monitorado pelas imagens de 56 câmeras e são ajustados 97% dos semáforos da cidade. “Apenas 3% dos sinais não são comandados pelo sistema. O alto índice de centralização nos permite ajustar os tempos e dar maior fluidez às vias mais demandadas”, explica Cappellari. Outra preocupação é qualificar e priorizar o transporte coletivo. Por isso, os 1.663 ônibus da Capital têm seus tempos de viagem permanentemente observados.

O monitoramento mostra que a velocidade média nos corredores de ônibus é de 22 km/h. “Isso é muito bom, já que na maioria das cidades o transporte público se locomove entre 16 km/h e 17 km/h. Temos uma malha de 57 quilômetros de corredores de ônibus e devemos ampliar essa estrutura com as obras da Copa. Os corredores são necessários para tirar os ônibus do conflito com os carros particulares”, afirma Cappellari.

Fora dos corredores a velocidade média do trânsito de Porto Alegre é “satisfatória”, diz Cappellari. Nos horários de pico (cerca de uma hora e meia no início da manhã e no final da tarde), os automóveis circulam a 24 km/h. No restante do dia, a média fica entre 27 km/h e 30 km/h. Segundo Cappellari, o trabalho de compensação (que inclui pequenas obras, alterações de sentido no fluxo, instalação de semáforos e os investimentos em tecnologia de gestão) tem conseguido manter a média praticamente constante nos últimos dez anos. “É normal que o crescimento anual da frota impacte a fluidez do trânsito. Não tem como não ocorrer isso com uma frota tão grande – segundo o Ipea, Porto Alegre tem um carro para cada dois habitantes. Por isso, medidas de valorização do transporte público são tão importantes no enfrentamento desse problema, que é real.”

A percepção é compartilhada pelo professor João Fortini Albano, do Laboratório de Sistemas de Transportes (Lastran) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Ele explica que o usuário só migra de uma modalidade de transporte para outra quando a primeira se torna antieconômica, consome muito tempo, é desconfortável e estressante e tem alternativas. “Desde a implantação da bilhetagem eletrônica, o sistema vem numa crescente, com excelentes resultados no aumento da demanda. O poder público vem mostrando, em Porto Alegre, um investimento expressivo na qualificação do transporte público”, observa. Albano também observa que mais gente tem adotado a bicicleta como alternativa ao transporte. “O fato é que uma solução para os problemas de trânsito não existe. Se todo mundo sair com o seu automóvel ao mesmo tempo, vai trancar. Não existe fórmula mágica. Mas é claro que um planejamento global e a integração das esferas públicas ajudam a melhorar a situação”, diz o pesquisador.

Clarisse de Freitas – Jornal do Comércio

Para ler a matéria integral (bem extensa), clique aqui.



Categorias:Meios de Transporte / Trânsito

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7 respostas

  1. Eu costumo ir da PUC ao triângulo, as 19h, em 20 a 25 minutos. Se isso não é “fluido” o suficiente para uma metrópole, não sei o que é.

    Há congestionamentos, mas não há metrópole no mundo sem transporte coletivo universal e super eficiente que não os tenha.

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  2. Estes burocratas só andam de helicóptero sobre a cidade.

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  3. Fluidez satisfatória? Foi isso que eu li?

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    • O transito é como um sistema bancário. Num banco, se todo mundo tentar sacar ao mesmo tempo o banco quebra. Isto funciona assim para que o banco possa emprestar mais que sua real capacidade.

      No sistema de trânsito é feito o mesmo cálculo. Há momentos do dia em que ruas estão ociosas, em outros estão acima da capacidade.

      Um sistema viário projetado para estar sempre fluido seria um enorme desperdício no restante 95% do tempo em que a demanda estaria baixa demais.

      Por isso, ao se falar de trânsito, a palavra fluido significa “em movimento” e não “com a janela aberta, o braço pra fora, a 60km/h sem ter que trocar de marcha”…

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  4. “fluidez por duas dédadas”????

    Do que esses caras estão falando? ENLOUQUECERAM?

    A CIDADE VAI PARAR!

    http://projetosemprograma.blogspot.com/2012/02/porto-alegre-vai-parar-e-os-culpados.html

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  5. Algo que eu gostaria de ver em Porto Alegre é a tarifação do transporte público por tempo e não cada vez que a pessoa passa pela roleta. A integração do TRI não é real, pois só transfere os 50% da segunda tarifa para quem usa somente um trecho.

    Da forma que está as pessoas continuam pensando em como pegar a menor quantidade de ônibus possível. Com a tarifação por tempo a pessoa escolhe o caminho mais rápido até o destino, que é pegar o primeiro que vem, para chegar aos corredores e pegar as linhas rápidas, ou pontos com mais opções.

    Fiquei impressionado ao usar o transporte público na Europa, que é tarifado por tempo dentro de regiões…

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