Conselho Estadual de Cultura manifesta-se sobre a demolição da SAT em Tramandaí

O CEC – Conselho Estadual de Cultura discutiu e aprovou em sua última reunião, por unanimidade, manifestação de contrariedade com a demolição de parte do prédio da SAT – Sociedade Amigos de Tramandaí.

reuniao-sat

A obra de demolição, iniciada na semana passada, foi embargada pela Justiça através de uma Ação Civil Pública movida pela Promotoria de Justiça do Ministério Público de Tramandaí. A denúncia da demolição foi formalizada pela Oscip Defender, pelo SAERGS – Sindicato dos Arquitetos do Rio Grande do Sul e por outros moradores e veranistas. O IPHAE deverá ser convocado para emitir seu parecer técnico a respeito do valor cultural do bem, além de estabelecer diretrizes para a eventual reconstrução do que foi demolido.

Segue a manifestação aprovada por unanimidade pelo CEC-RS, na íntegra:

“O Conselho de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul manifesta sua contrariedade à demolição da edificação da Sociedade Amigos de Tramandaí – SAT. A preservação do patrimônio gaúcho é premissa neste Conselho e este ato vai de encontro à cultura do Estado.

O local foi palco de diversas atividades culturais e sociais do município de Tramandaí. Bailes, chás da comunidade, confraternizações e festas particulares movimentaram a cidade durante várias décadas. Aliado ao indiscutível valor imaterial, acrescenta-se o caráter arquitetônico. A edificação modernista com curvas marcantes e planos inclinados remete à Escola Carioca, manifestando uma comunhão de estilos entre o litoral gaúcho e o Brasil. O cuidado formal manifesta-se na inserção arquitetônica no terreno e no contraste horizontal e vertical criado entre a volumetria e a linearidade das esquadrias. A presença das artes visuais nas fachadas também é indício de um apreço arquitetônico. Tudo isso esquecido no momento da destruição que surpreendeu, não só os munícipes de Tramandaí, bem como os gaúchos como um todo.

Esta menção além de um manifesto de repúdio, busca solicitar providências que venham a impedir a continuidade de tal destruição. Muito mais que paredes, o que vem sendo destruído é a memória cultural e histórica da cidade de Tramandaí.

Porto Alegre, 25 de abril de 2013″

cec

Por Jorge Luís Stocker Júnior

Defender.org.br

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Pra quem não acompanhou o caso, a sede da Sociedade Amigos de Tramandaí – SAT, foi parcialmente demolida para a construção de um prédio de 18 andares. A parte a ser demolida seria de 25% do prédio. Considerado um patrimônio do litoral gaúcho, estilo modernista, a demolição foi embargada.

Olhem as fotos:

O PRÉDIO ORIGINAL

Foto: Andre Huyer

Foto: Andre Huyer

Foto: Andre Huyer

Foto: Andre Huyer

O PRÉDIO PARCIALMENTE DEMOLIDO

SAT

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38 respostas

  1. Quantas gerações viveram os carnavais da SAT se esticando até a beira-mar na manhã de quarta-feira; os shows de Roberto Carlos, Gilberto Gil, Moraes Moreira, Cauby, Fafá, Ivan LIns, Sandra Bréa, Impacto, Cidadão Quem, Nenhum de Nós, entre tantos outros, as Fuxiqueiras, a comenda das tatuiras, as noites de bingo, os chás anuais. A canja de galinha nas manhãs após os bailes, as filas para comprar ingressos em frente ao clube, os jogos de futebol sete seguidos de bons churrascos nas noites de sexta-feira, os casamentos que iniciaram em namoros na boate demolida, no salão de beleza demolido, no salão de jogos demolido, nos jantares realizados nos restaurante demolido. Tudo é história pra contar, pra quem viveu e pra quem não teve esta oportunidade. Valor mesmo só sente quem sente a dor da saudade de uma época, da sua época dourada, de tantas épocas douradas de tantas quantas foram as gerações de privilegiados que lá cresceram e hoje cruzam por aquele espaço atrofiado pela incompetência de outros. Dinheiro a gente faz; construir se constrói em tanto espaço que há. Aqui não há nada mais a discutir, apenas se repete a estupidez de uma sociedade decadente, mais uma vez. Culpa de todos.

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  2. sou arquiteto, fazem uns 40 anos…veranista de tramandaí, uns 30, umas duas quadras do predio da SAT… sempre me lembro dele fechado.
    sempre admirei ele, bem como o predio do escritorio da corsan.
    agora todos gritam furiosamente contra a “perda da memória cultural”… mas em nenhum artigo vi citação sobre o autor do projeto da sat… que falta de memoria.
    já começou nisto, a falta de memoria… nem a saergs, e outros tantos que gritam, nem a defender tiveram a capacidade de informar o autor do projeto… é fácil dos gabinetes reclamar do ocorrido fora deles.
    residi bom tempo na Belgica… as edificações centenarias tem nas fachadas a inscrição dos autores do projeto…. isto é preservar memoria…ou não? e, afinal, qtas guerras eles tiveram por lá????
    não tenho mais paciencia com esses discursos “fora do prazo”….
    arq. pedro

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  3. Cultura?

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  4. Só para seu conhecimento rogeriomaestri, eu nunca morei em Tramandaí, moro na cidade de Cachoeira do Sul, apenas trabalho em finais de semana numa banda que toca bailes, formaturas, jantares e afins…, por isso o meu grande conhecimento dos clubes de toda a região Sul. Se a história de suas casas, prédios etc. de um município ou vila se torna tão importante para os seus moradores, sejam prédios de relevância arquitetônica ou apenas chalés de uma certa data, ou um hotel feio que foi posto abaixo em Capão da Canoa e se construiu um belo Shopping e 4 prédios de apartamentos, essas cidades hoje em dia não teriam condições de terem hotéis maiores no centro, nem prédios de apartamentos, porque alguma coisa teria que ser derrubado para dar lugar ao novo. As cidades crescem, a população inevitavelmente aumenta, e as coisas começam a mudar. Em Porto Alegre ainda é maior essa resistência ao novo, ao crescimento, pois vejo pessoas se mobilizando para evitar que se construa algo novo, bonito e de acesso para todos como foi e está sendo o caso do Pontal do Estaleiro.

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    • Concordo com seu ponto de vista Muller.
      É o que chamei de “preservar por preservar”.
      O que é bem diferente de preservar para um fim sustentável.

      E convenhamos que o prédio em questão tem gosto e relevância arquitetônicos bastante questionável. – agora é que vão me matar mesmo…

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    • Muller
      .
      Mesmo após a queda do Império Romano do Ocidente lá por 300 da era moderna, os romanos não derrubaram o Coliseu (roubaram os mármores, mas ninguém é de ferro!), e Roma cresceu!
      .

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