Finalmente procissão de Navegantes volta a Porto Alegre

 

Proibida por quase 20 anos, procissão pelas águas agora volta a ser oficial

 

Nossa Senhora volta hoje a ser dos navegantes em Porto Alegre. Retomando uma tradição repetida 114 vezes no passado e interrompida desde 1989, a imagem singrará o Guaíba em um barco, acompanhada por procissões em água e em terra.

 

 

O retorno da santa ao trajeto fluvial, na 134ª edição da festa de Navegantes, está mexendo com as emoções e as recordações dos devotos mais antigos, que se acostumaram a segui-la por água e nunca se resignaram com a procissão terrestre. O contador Wiktor Iglin, 63 anos, por exemplo, dedicou os últimos dias a deixar seu iate, o Witya, em condições para seguir o cortejo da imagem na manhã de hoje. Ele deve levar consigo 40 pessoas, gratuitamente.

— Quando a procissão fluvial foi suspensa, tive uma grande decepção. A festa perdeu o encanto. Estou feliz de a imagem estar retornando agora. Foi por isso que resolvi colocar o barco à disposição — explica o contador.

Iglin começou a participar da procissão há 40 anos, acompanhando o trajeto em embarcações próprias. Depois de a procissão ter virado terrestre por motivos de segurança, seguiu na água, em cortejos paralelos. Na semana passada, quando preparava o Wytia, descobriu que havia água no óleo do barco. Teve de pôr mãos à obra para colocar o iate no Guaíba.

— Acho que vai dar tudo certo. Se o problema não for resolvido, uso um outro barco, para 15 pessoas. Todo mundo que é da água, como eu, sempre é devoto de Navegantes — avisa.

Para o médico aposentado Henrique Licht, 87 anos, o reencontro de Nossa Senhora dos Navegantes com o Guaíba é a retomada de uma tradição familiar com mais de um século. Ele conta que uma avó começou a participar da procissão em 1894. Os pais, moradores do bairro Navegantes, também não perdiam. Licht participou pela primeira vez na procissão fluvial em 1931, quando ainda era um menino.

— Eu ia no barco com a imagem. Era um espetáculo excepcional. O trajeto era diferente. Antes de irem até a paróquia de Navegantes, os barcos seguiam no sentido oposto, para passar em frente à cadeia que ficava perto do Gasômetro. Os presos saudavam com lenços e lençóis — recorda.

 

Ainda não é em definitivo

A volta da procissão fluvial não é em caráter definitivo. Foi concebida como uma experiência. Os defensores esperam que seja o primeiro passo para a retomada. Na última vez que a santa navegou pelo Guaíba, em 1988, 20 mil fiéis acompanharam-na na água.

Depois da missa no Santuário do Rosário, a imagem seguirá até o portão central do cais do porto para embarcar no rebocador Almirante Saldanha da Gama. Emprestado pela empresa Navegação Amandio Rocha, ele terá a bordo 30 remadores.

 

Está previsto que participem ainda os barcos Cisne Branco, Noiva do Caí e Caribe – totalizando 600 vagas.

 

Barcos particulares deverão somar-se, desde que estejam devidamente licenciados.

 

 

Zero Hora

 

 

Ótima notícia !   Porto Alegre volta a ter sua festa mais tradicional.

 

Para quem não sabe, a procissão pelo Guaíba foi proibida em 1989 por causa da comoção nacional com a tragédia do naufrágio do Bateau Mouche, na virada daquele ano. Na ocasião foi posta em cheque a segurança em todas as embarcações do país, o que é justo.

Porém se passou um ano, dois anos, quinze anos e, em vez solucionar um possível problema de segurança na navegação, simplesmente proibiram e acabaram com a procissão de Navegantes.

O dia perdeu até mesmo a razão de ser de seu nome, pois o que começaram a fazer a partir de então foi a festa de Caminhantes. A justificativa dada na época é que a procissão de caminhantes  permitia  maior participação popular.

 

Acabaram com a tradição secular da maior festa religiosa de Porto Alegre.

 

E, com respeito a fé alheia, acabaram também com o encanto e beleza da festa. De tradição tão antiga e arraigada, a festa da procissão de Nossa Senhora de navegantes já ultrapassou o domínio da religião: é uma festa da cidade. A grande festa de Porto Alegre.   Uma festa que reúne uma respeitosa e impressionante demonstração de fé. Uma festa de grande tradição. E de grande encanto.

Agora o dia de Navegantes volta a ter a tradição e o explendor que merece.

 

A procissão de Caminhantes foi mantida, paralelamente à fluvial.  É válido, pois permite participação ainda maior num dos maiores eventos religiosos do Brasil.

E que bom que a origem e a tradição nas águas está voltando !

 

Ricardo Haberland

 

 



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3 respostas

  1. Preciso saber os horários da procissão muito obrigada

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  2. “Nós melhoramos o evento. O evento ficou melhor com nós, porque agora terá mais participação popular”

    Pra quem não entendeu, essa “melhora” que fizeram foi trocar a procissão de Navegantes pela pocissão dos Caminhantes, no asfalto da Castelo Branco.

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  3. Até isso a turma dos 16 anos fez de mal para Porto Alegre: acabou com uma tradição da cidade e um evento LINDÍSSIMO pelas águas. E ainda disse que sua decisão estava certa, dizendo:
    “Nós melhoramos o evento. O evento ficou melhor com nós, porque agora terá mais participação popular”

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