ARTIGO: Ciclovias, o futuro das cidades

Vivenciamos hoje no Brasil um grande colapso no sistema viário, as cidades brasileiras cada vez mais param nos horários de pico, enfrentando grandes congestionamentos. Qual a real causa da paralisação das cidades frente às ruas?

Entre as diversas causas podemos destacar algumas:

O aumento abrupto e de certa forma excessivo de carros nas ruas, o Brasil como potência econômica da atualidade, elevou seu padrão de consumo de forma exorbitante nos últimos anos, além disso, o preço dos carros baixou e as alternativas de crédito estão agora facilitando a compra destes equipamentos. Este é um grande problema para as cidades que não estão preparadas para receber esta grande quantidade de veículos novos a cada ano.

As cidades brasileiras investem muito pouco em novas ruas, ou na ampliação das já existentes. Na realidade, esta solução de alargamento de ruas ou até mesmo a construção de novas vias não passa de uma solução paliativa, que em poucos anos se tornarão cheias demais para o constante crescimento da frota brasileira.

O governo brasileiro tem de investir em mobilidade urbana, tem que investir em transporte público, tem que fazer com que o transporte público seja um meio muito mais seguro, acessível, e, principalmente, confortável. Se as pessoas tiverem condições dignas de se locomoverem por meio do transporte público, com certeza haverá uma diminuição do número de carros nas ruas, desafogando o trânsito das cidades.

Outra solução, a mais importante diga-se de passagem, é investir em um transporte limpo, mais limpo até do que o transporte público, devemos investir em Ciclovias. Isso mesmo, o brasileiro cada vez mais se torna um ser relaxado e acomodado, estamos nos tornando cada vez mais americanizados, fazendo cada vez menos esportes, a população está se tornando sedentária.

O uso das bicicletas acabaria de vez com dois grandes problemas da população brasileira: o sedentarismo, fazendo com que as pessoas façam exercicios físicos diários através da sua locomoção e também acabaria com os problemas de trânsito.

Porquê não usarmos bicicletas então?

População de Pequim se locomovendo por meio de bicicletas

Infelizmente, hoje em dia, é extremamente inseguro andarmos de bicicleta pelas ruas de nossas cidades, não há uma faixa exclusiva para ciclistas. A falta de bom senso e de educação de motoristas também contribui para que essa prática se torne uma alternativa ruim.

É necessário uma iniciativa do governo de fornecer essa segurança, a retirada de uma das faixas de circulação de automóveis e a colocação uma faixa exclusiva para ciclistas seria de extrema valia, por exemplo, uma iniciativa que demonstra a importância dada a bicicleta e valorização deste meio de transporte limpo e saudável.

Muitos países utilizam-se da bicicleta como principal meio de transporte, podemos ver na China, onde estima-se que haja 500 milhões de ciclistas ativos, sendo 4 milhões somente na cidade de Pequim.

No Japão estima-se que 17% da mobilidade é feita por meio da bicicleta. O Japão apresenta 80 milhões de bicicletas. Esta é uma tendência mundial, podemos ver, em países europes e asiáticos esta iniciativa. É uma solução para o trânsito, em alguns casos, a bicicleta pode se tornar competitiva em comparação ao carro, diminuindo-se a velocidade da via, por exemplo.

Até mesmo Nova York está executando um plano de ciclovias, onde serão retiradas vias de carros e serão colocadas ciclovias, separadas e protegidas dos automóveis. Esta iniciativa pretende estimular uma maior utilização da bicicleta como meio de transporte, a diminuição da velocidade dos automóveis em algumas vias também fará com que a bicicleta se torne um meio mais competitivo de locomoção.

Plano de Nova York Retirada de uma faixa de carros para colocação de uma ciclofaixa – Imagem: Editora Pini – Revista AU – Fevereiro de 2012

Imagem da aplicação da ciclovia em Nova York – Imagem: Editora Pini – Revista AU – Fevereiro de 2012

É possível a aplicação de ciclovias em uma cidade como Porto Alegre?

Sim, Porto Alegre tem um potencial, conforme estudos da prefeitura, para a colocação de 495 km de ciclovias na cidade, o que possibilitaria um deslocamento de total abrangência da cidade de Porto Alegre. O primeiro passo desta batalha foi dado, a colocação da ciclovia na Av. Ipiranga é de extrema importância para começarmos a aderir e a aplica estes novos conceitos na cidade. A mobilidade é um grande problema nas cidades brasileiras e há uma solução muito mais limpa, sustentável e de custo muito baixo, as Ciclovias.

Para maiores estudos recomendo alguns sites e vídeos que foram utilizados de base neste artigo, ou que podem ser importantes para a formação da ideia e da reflexão sobre o assunto:

Estudo da Zero Hora sobre ciclovias:

http://www.clicrbs.com.br/zerohora/swf/especial_ciclovias/index.html

Vídeo sobre a aplicação de ciclovias nos Estados Unidos (vídeo em Inglês)

Artigo escrito por Matheus Simon

Matheus cursa Arquitetura e Urbanismo na PUC-RS. Pretende seguir carreira na construção civil, com foco em sustentabilidade. Participa de um grupo de pesquisa em Habitação de Interesse Social e Sustentabilidade da FAUPUCRS (SUSTENFAU), do qual é pesquisador. Como apaixonado por Porto Alegre, acredita que a cidade precisa de muitas mudanças, e que essas mudanças passem pela Arquitetura, pelo Urbanismo e (por que não?) pela Sustentabilidade. Também acredita que a sustentabilidade precisa estar em todos os níveis e em todas as classes sociais.



Categorias:Artigos, Bicicleta, ciclovias

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50 respostas

  1. Precisamos de muitas ciclovias ou ciclofaixas, implantadas nas principais ruas e avenidas, principalmente as de mais trânsito de veículos. Pedalar é muito saudável e é um meio de transporte não-poluente. Mas nem todas as pessoas têm resistência para pedalar vários quilômetros, muito menos se tem subidas a percorrer. Por este motivo já foi lançado em países da Europa e Ásia, e acredito na América do Norte, bicicletas com motor elétrico que tem como finalidade ajudar o ciclista a pedalar, ou seja, tornar menos penosa a pedalada, como se fosse a ajuda de mais duas pernas nos pedais.
    Esses motores elétricos funcionam com bateria recarregável e por não serem a combustão
    são isentos de qualquer poluição.
    Entretanto, como nós vivemos num país que tem uma fúria arrecadadora, é bem possível que inventem que esse tipo de bicicleta precise ser emplacada e o ciclista ser obrigado a ter carteira de habilitação, o que já será oneroso para o dono da bike e transtornos para realizar as renovações anuais.
    Se essa barbaridade acontecer, não vai faltar algum de nossos homens públicos que um dia vai inventar de fazer o mesmo com os cadeirantes, emplacar cadeiras de rodas.

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