Manifestantes ocupam Rua Luciana de Abreu em defesa dos casarões históricos

Samir Oliveira

Estudantes e professores de Arquitetura protestaram em frente aos casarões da Rua Luciana de Abreu | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Estudantes e professores de Arquitetura protestaram em frente aos casarões da Rua Luciana de Abreu | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Centenas de pessoas protestaram no final da tarde desta quarta-feira (25) contra a demolição de seis casarões históricos localizados na Rua Luciana de Abreu, no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre. As edificações estão sob ameaça de demolição, já que a construtora Goldsztein pretende erguer no terreno um prédio de 16 andares. No sábado (28) haverá uma nova manifestação no local.

O ato desta quarta-feira foi organizado por estudantes de Arquitetura da PUCRS e da UFRGS e contou também com a presença de professores desses cursos e da comunidade do bairro. A manifestação teve início às 17h e não chegou a trancar o tráfego na rua. Os manifestantes penduraram um varal em frente aos casarões, onde diversas mensagens de apoio à perservação do patrimônio histórico foram colocadas.

Professor aposentado de Arquitetura na UFRGS e na UnB, Carlos Moura entende que os casarões da Luciana de Abreu são “uma referência” para a cidade. “Existem edifícios aos montes, um igual ao outro. Mas esse tipo de casa, em curva, geminadas, de 1930, é único. Se forem demolidas, serão substituídas por um prédio sem nenhum significado para a constituição do bairro”, critica.

Para Ana Rosa Cé, professora de Urbanismo da PUCRS, a demolição das casas da Luciana de Abreu reforça um projeto de cidade prejudicial aos seus moradores. “As pessoas estão deixando de andar nas ruas e se fechando em centros comerciais de grande porte. Estamos tentando reverter o rumo de uma Porto Alegre que está perdendo qualidade de vida”, considera.

Integrante da Associação Moinhos Vive, Alda Pyvelloso espera que o ato possa sensibilidar o Poder Judiciário e a prefeitura. “Quando o povo não é ouvido, ele vai à rua mostrar o que quer. É isso que está acontecendo aqui. Construir um prédio de 16 andares no lugar destas casas seria um ataque ao bairro”, lamenta.

Veja toda a reportagem (extensa) clicando aqui – SUL 21.



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, Patrimônio Histórico

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64 respostas

  1. OS INSTRUMENTOS DE PRESERVAÇÃO DA MEMORIIA.
    O recente desfecho do casario da Luciana de Abreu demonstram a fragilidade das politicas de preservação da memoria urbana que dependem unicamente dos critérios de avaliação do poder executivo em qualquer instancia de ente federado. É preciso pensar em outros poderes da República como instrumento de cartorização dos memórias coletivas.

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  2. BOLHA IMOBILIÁRIA COMO NOS EUA:

    Tenho um conhecido que trabalha num banco. Eles sabem que tem uma bolha e sabem que vai dar m**** como deu nos EUA, e não tão fazendo nada, porque sabem do “bom-exemplo” dado pelo Federal Reserve: “é só injetar a grana que desaparecer… e tá tudo resolvido”. Grana de impostos. Ou seja, vamos pagar a farra dos outros, como sempre.

    http://www.infomoney.com.br/minhas-financas/imoveis/noticia/2941708/suspeito-que-haja-uma-bolha-imobiliaria-brasil-diz-robert-shiller

    http://exame.abril.com.br/economia/noticias/shiller-alerta-para-bolha-imobiliaria-apos-alta-de-225

    http://economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201308312031_RTR_SPE97U02Y

    http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/09/existe-o-perigo-de-bolha-imobiliaria-no-brasil.html

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  3. As casas em questão nada tem haver com patrimonio historico, e que gentinhas não querem é um predio de apartamentos naquele local , porque os mesmos ( no estendimento deles) iram desvalorizar o seu entorno;

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  4. Corram!
    Os peixinhos do Sinduscon invadiram o Blog

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  5. Hotel viverone dando exemplo de bom senso! rossi fiateci também !npor ai vai….seria muito mais lucrativo e melhor pra imagem da goldsztein se eles fizessem um projeto de rearquitetura utilizando as casas….existem tantos exemplos espalhados pelo mundo a fora, BURRICE TOTAL DA CONSTRUTORA! tenho pena do arquiteto que vai assinar a futura obra pois podia muito bem aproveitar o que já existe … PADRAUM GOLDSZTEIN DI CUALIDADI

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  6. So poderia ser materia do jornaleco Sul21….deve ser a mesma corja do JA.

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  7. Como diz o velho Brizola: ‘interrésses’, a construtora quer forrar os bolsos. Só isso. Mas, porque não existe protesto contra o desmatamento da zona sul (Alphaville)? https://portoimagem.wordpress.com/2013/04/29/casos-de-desmatamento-em-porto-alegre-onde-estao-os-manifestantes/

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    • Brizola dizia….

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    • como se tu não quisesse forrar os bolsos também…
      a construtora, até agora, está do lado da lei, e os xiitas adoradores do velho, que nem lembravam dessas casas até agosto de 2013, não aceitam isso.

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      • Cara, eu acho que a construtora tem razão. Uma empresa precisa dar lucro. Só fico triste por saber que apenas acontecem protestos assim em bairros classe A. Na zona sul, o Alphaville limpou uma grande área de mata e ninguém fala nada.

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      • Nossa, é um poeta esse Fernando.

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        • Fernando, como tu é burro… Isso tudo que tu tá falando é pura burrice!
          É mais ou menos igual ao Paulo Santana dizendo que tem que demolir o Mercado Público por falta de estacionamento.

          Não importa quem projetou os casarões da Luciana de Breu, o fato é que vão demolir um conjunto de exemplares arquitetônicos significativos da cidade de Porto Alegre para levantar mais uma “maravilha” da Goldztein.

          Porto Alegre está vivendo um processo de enfeiamento gradativo que se deve, em grande parte, à essas construtoras que fazem esses empreendimentos imobiliários sem linguagem arquitetônica alguma. Só fazem cacaca. Depois vem uma empresa de publicidade e vende como se fosse a 8ª maravilha do mundo.

          É só passar em frente aos casarões da Luciana de Abreu pra perceber o caráter excepcional daqueles edifícios. Não é preciso documento algum pra provar isso. A própria arquitetura, por si só, transmite um sentimento. E qual é o sentimento que a arquitetura nhaca da Goldztein transmite? P* nenhuma.

          Mas fazer o que, a prefeitura que deveria se interessar em manter a qualidade da arquitetura da cidade se finge de surda e muda.

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  8. Amigos. Essa matéria tem um pequeno erro.
    Não eram centenas. Eram uns 80. Eu estava lá!
    Alguns moradores de mais idade e a maioria uma molecada, estudantes, que não tenho certeza se sabem direito o que estavam fazendo lá.
    Com tanta mentira sobre “remover as casas do inventário”, sobre “projeto ser do Theo” QUE NÃO É e outras tantas que podem ter sido ditas nas salas de aula da Arquitetura…
    Duvido que a gurizada estaria lá se soubesse que estão sendo usadas como “massa de manobra”

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  9. Sr Andre. Está enganado. O Sr Sérgio é o Presidente e acionaista majoritário da Goldsztein.

    E o empreendimento em questão não tem ligação com a Cyrela. Ou nem mesmo com a Cyrela Goldsztein. São empresas diferentes.

    A Goldsztein que está envolvida no assunto da Luciana de Abreu é a mesma empresa que atua no Jardim Europa, onde os empreendimentos também não são da Cyrela. Só para te informar.

    E essa bobageira que escrevem dizendo que o tombamento indeniza. Bobagem! O valor que os priprietários receberiam de indenização é muito, mas muuuuito menor do que o valor percebido pela permuta que negociaram, sem dizer que eles estão faz mais de década esperando para receber seus apartamentos ali.

    Ainda nesse tema. Mesmo que os proprietários decidissem desfazer o negócio com a Goldsztein e topassem receber o valor menor das indenizações, eles teriam que gastar todod esse dinheiro com a OBRIGAÇÃO que lhes seria imposta de recuperar as casas.

    Há uma estimativa circulando de que a restauração daquele casario consumiria entre 6 e 8 MILHÕES de reais. Isso sem mencionar nos milhões que a Goldsztein já gastou nesse tempo com impostos, segurança, advogas e custas processuais, para não mencionar no valor que a Goldsztein paga mensalmente de aluguel aos proprietários desde 2002.

    Agora. Se o Moinhos Vive e os xiitas de plantão fizerem um fundo que cubra estas despesas todas da Goldsztein, o lucro que as famílias DONAS das casas esperam ter e mais o dinheiro que faltaria para elas restaurarem as casas, com certeza aí sim o Moinhos Vive teria legitimidade para pedir qualquer coisa! E acho que até conseguiriam convencer a Goldsztein a desistir do seu direito.

    Mas na verdade isso nunca vai acontecer. O Moinhos Vive é uma palhaçada! Umas pessoas de idade ranzinzas que são contra tudo. Comandados oficialmente pelo Sr Raul Agostini, que mora na Sto Inácio em uma casa quase tão antiga quanto as da Luciana e que o Sr Raul pode, a seu bel prazer e benefício próprio alugar a frente da casa para uma empresa que ao se instalar lá reformou tudo, descaracterizou o imóvel.

    Isso sem mencionar na Sra Alda Py Veloso que não dialoga com ninguém, faz gritaria e usa as reuniões do Moinhos Vive de palco (acho que sonha ser candidata a algo) e na verdade mora no centro de Porto Alegre. O que quer no Moihos? Mistério.

    E o principar ator/artista que MANIPULA todos os senhores e senhoras mais de idade do Moinhos Vive, mas que aparece só quando lhe convém. Mas que na verdade sua agenda oculta é evitar que mais pessoas morem no bairro, que exista oferta de novos imóveis para não correr o risco de ter menos liquidez no seu próprio. É o Arq Manoel Tostes, que esquece de contar para as pessoas para quem propaga as mentiras sobre a autoria do projeto das casas, que na verdade ele não quer um prédio em frente a sua belissima cobertura de 400 m2 no Edifídio ********************** (endereço suprimido pelo moderador).

    E mais!!! A Goldztein parece que tenta faz mais de UM ANO, desde antes de ganhar na justiça, abrir dialogo com o Moinhos Vive. O tal “arq” Manoel Tostes nunca permite. Não abrem nem espaço para a empresa ir numa reunião. E já deixaram claro lá na construtora que a intenção seria mostrar opções de projetos que presevariam parte das casas e dariam como contra partidas para o bairro várias coisas tipo adoção de praças, custeio de melhorias de iluminação pública (a Prefeitura já disse que não tem $), patrocinariam um projeto de segurança do bairro e outras coisas que já circulou a boca pequena. Mas os xiitas do Moinhos Vive abafam, para preservar seus interesses particulares, travestidos de defensores das casinhas.

    Eles que vão tratar de arrecadar recursos e brigar pela preservação e manutenção/restauro destes outros mais de 120 imóveis já protegidos do bairro, mas que se ninguém cuidar, em uns anos cairão sozinhos!

    E tenho dito.

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  10. Artigo| Respeito à Luciana de Abreu
    26 de setembro de 2013
    0
    Acreditamos
    que a solução passa,
    obrigatoriamente,
    por bom senso
    e respeito ao
    direito de todos

    FERNANDO GOLDSZTEIN *

    A indústria da construção civil possui grande relevância na economia das cidades. Forte geradora de empregos, atende a necessidade imperiosa de habitação. Apesar da sua grande relevância, às vezes não é bem vista pela população em geral, especialmente pelos vizinhos. Frequentemente, ocorre a remoção ou transplante de vegetação, barulho, movimento de caminhões, obstrução de vista, etc.
    A estrutura urbana das grandes cidades brasileiras não ajuda. Em função da falta histórica de planejamento e dos baixos investimentos em infra estrutura viária e de saneamento, as grandes metrópoles são concentradas e verticais. Perde-se muito tempo em locomoção para áreas mais afastadas dos centros urbanos. Em contraste, as grandes cidades americanas e europeias, providas de excelente estrutura viária e transporte público de boa qualidade como o metrô, fazem dos subúrbios as suas áreas mais valorizadas.
    Porto Alegre, assim como quase todas as capitais brasileiras, é vertical. A população prefere viver de forma mais concentrada a fim de não perder tempo em grandes deslocamentos. Por tudo isso, a indústria imobiliária, como regra geral produz apartamentos, e não casas. Edifícios não são um fim em si mesmos, são uma necessidade.
    Quanto às casas da Rua Luciana de Abreu, objeto de recente polêmica em Porto Alegre, houve cuidadosa análise de toda sua documentação e não havia nenhuma objeção para a aprovação de um projeto de edificação. Logo depois de aprovado o projeto e obtidas as licenças na prefeitura, foi deferida uma liminar impedindo a retirada das casas por suposto valor histórico. A partir daí foram 11 anos de disputa judicial. Finalmente, neste mês de setembro, o Tribunal de Justiça confirmou, por unanimidade, que as casas não têm valor histórico ou arquitetônico. Vale ainda registrar que, anos antes de tudo começar, a prefeitura de Porto Alegre inventariou, com auxilio da Unesco, 127 imóveis no bairro Moinhos, dentre os quais as casas da Luciana de Abreu nunca foram incluídas. Portanto existem hoje 127 imóveis listados e totalmente protegidos apenas no bairro Moinhos de Vento. Além disso, comprovou-se no decorrer do processo que as casas foram projetadas por Franz Filsinger que, como tantos outros, trabalhou com Theo Wiedersphan, mas que com ele não se confunde.
    Entendemos e respeitamos a gênese do movimento em defesa das casas da Luciana de Abreu e há um nobre apelo para que se estabeleça um diálogo entre a construção civil, o poder público e a comunidade. No que diz respeito à Goldsztein, queremos participar ativamente deste diálogo para uma cidade melhor. Mas, no caso específico, não podemos simplesmente esquecer os deveres que temos com acionistas, investidores e, principalmente, com as três famílias proprietárias das casas, que até hoje esperam pelos seus apartamentos no local.
    Tentamos insistentemente, por mais de um ano, propor soluções conciliatórias. Acreditamos que a solução do caso Luciana de Abreu passa, obrigatoriamente, por bom senso e respeito ao direito de todos. Também ansiamos por uma cidade mais humana, democrática e que preserve sua memória através de seus imóveis, avaliados com critérios técnicos. Porém, sem esquecer que as decisões judiciais precisam ser respeitadas, as pessoas precisam viver em apartamentos e a preservação do patrimônio histórico demanda vultosos recursos.
    Por tudo isso, estamos e sempre estivemos totalmente abertos ao diálogo. Este é o princípio que rege nossa relação com clientes, parceiros e, naturalmente, com os moradores da nossa cidade.

    * Diretor da Goldsztein

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  11. Amigos, vamos espalhar a verdade?

    Aos 70 anos de vida não posso assistir calado algumas injustiças que cometem contra a Goldsztein, empresa que se consolidou na nossa querida Porto Alegre, cidade que amamos e onde convivemos com nossos filhos e nossas famílias.

    É em nome da Goldsztein que tomo a liberdade de pedir sua colaboração no sentido de compartilhar informações importantes sobre a realidade que envolve as 6 casas da Rua Luciana de Abreu, em Porto Alegre, onde será realizado um empreendimento imobiliário.

    Temos acompanhado a divulgação pela internet e pelos veículos de comunicação que, em alguns momentos, trazem informações incorretas. Da mesma forma, observamos uma omissão permanente de dados fundamentais para que a população possa fazer uma leitura correta dos fatos que envolvem este assunto.

    Os fatos:

    1) A situação e os atributos das 6 casas da Rua Luciana de Abreu foram investigados pelo Ministério Público por 10 anos, de 2003 a 2013, quando então o Juiz da 10a Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre proferiu sentença decidindo que não havia sentido nas casas serem preservadas, tendo em vista que não eram patrimônio histórico ou cultural.

    2) Nestes 10 anos em que aguardamos pela decisão judicial, todos os peritos concluíram que não havia nenhuma justificativa técnica para que as casas fossem preservadas, diferente dos casos de outras 127 casas do Bairro Moinhos de Vento, que foram listadas como patrimônio histórico, em processo validado pela Unesco. Jamais proporíamos construir nenhum empreendimento em um destes 127 imóveis declarados patrimônio histórico ou cultural.

    3) Os peritos concluíram, também, que as casas da Rua Luciana de Abreu não foram projetadas pelo arquiteto alemão Theo Wiederspahn, um verdadeiro gênio que nos deixou obras como o MARGS, Casa de Cultura Mario Quintana e o prédio dos Correios. A informação de que Wiederspahn projetou as casas da Luciana de Abreu não é correta. Esta informação foi erroneamente divulgado nas redes sociais como justificativa para que as casas fossem preservadas. O projeto arquitetônica das 6 casas foi feito por outro arquiteto, chamado Franz Filsinger, conforme prova o documento disponível no processo judicial.

    4) Os proprietários destas casas declaradamente não tem interesse em manter ou reformar os imóveis, tendo em vista o estado de deterioração em que se encontram e o alto custo que teriam com obras de recuperação.

    5) A Goldsztein sempre buscou o diálogo e o entendimento com as entidades que representam os moradores do bairro Moinhos de Vento, oferecendo diversas contrapartidas sociais que seriam desenvolvidas em conjunto com o empreendimento planejado para a Rua Luciana de Abreu.

    Estes fatos compõem a verdade sobre esta questão. Nos ajude a divulgá-los. A cidade de Porto Alegre abriga nossas famílias e nossos filhos. Seguiremos trabalhando para oferecer bem estar, conforto e qualidade de vida à população. Nossa intenção sempre foi ouvir e dialogar e, mesmo não havendo nenhuma obrigação técnica ou legal neste sentido, nossa disposição e motivação é construir soluções junto com a comunidade.

    Muito obrigado!
    Um abraço fraterno,

    Sergio Goldsztein

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  12. Fica uma pergunta no ar: a quem recai os custos de eventual desfazimento do negócio em favor da Goldztein?

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    • Não precisa desfazer, precisa negociar, dar compensações, etc.

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    • por tombamento, o poder público.

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      • Ou seja, os contribuintes vão arcar com a birra de meia dúzia de moradores que não querem um prédio na sua rua exclusiva porque supostamente uma dessas casas teria sido desenhada por um arquiteto alemão, fato não comprovado em 10 anos de processo judicial, é isso mesmo?

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        • Não.

          O poder público só tem gastos com a manutenção de edifícios tombados quando os proprietários dos mesmo comprovam que não possuem condições financeiras para fazer a manutenção.

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    • Digamos que você seja um empresário da construção civil e, há dez anos, você vislumbra a oportunidade de construir edifícios no lugar de umas casas que se parecem com patrimônio histórico, embora não tenha nada formal. O risco, no entanto, não é zero.

      Por outro lado, como é praxe na construção civil, você faz uma proposta aos atuais proprietários: em troca do terreno, você lhes dá algumas unidades. É uma troca justa, afinal, serão apartamentos de alto padrão e não apresentam todo o custo de manutenção e segurança que as casas impõem.

      Fechado o acordo, o próximo passo é submeter o projeto, e essa é a etapa mais complicada, pois esses imóveis estão numa espécie de limiar entre o “virou história” e o “dá para derrubar que não fará falta”. Parece tudo certo para repetir o mesmo sucesso de empreendimentos análogos no bairro Petrópolis, Bela Vista, etc.

      No entanto, surge um problema: o Moinhos é ocupado por pessoas influentes, classe média alta, pessoas ligadas a setores da política, do judiciário, do ministério público, da medicina de ponta ou mesmo empreendedores que não tiram seu sustento da construção civil. As suas intenções logo são descobertas por esses moradores, que resolvem comprar briga; afinal, é o bairro deles que ficará mais saturado, terão eventualmente suas vistas prejudicadas e o trânsito de veículos ficará pior. Soma-se a isto o fato de que há cerca de cinquenta anos a arquitetura privada é um tédio total e não traz o conforto visual de algumas obras icônicas do passado. Pior que o medo de ter a vista obstruída, é ter a vista obstruída por um caixotão de concreto igual a todos os outros.

      Essa é a polêmica toda. A população da cidade está farta dessas obras utilitaristas que dominam a paisagem da cidade há cinquenta anos. Queremos nos identificar com o espaço público, queremos caminhar nas calçadas enquanto podemos apreciar a capacidade humana de se superar em resolver problemas de engenharia e arquitetura. A polêmica toda é muito menos pela preservação do que pelo grito de “não à mediocridade estética” das edificações que vêm sendo construídas.

      A polêmica é porque destruirão casas que, mesmo degradadas, nos fazem pensar, parar e contemplar — sensações que a construção civil têm sido incapaz de produzir na cidade. Por que isso está acontecendo no Moinhos e não no Petrópolis ou no Teresópolis ou na Glória? É óbvio que é porque tem gente influente que resolveu comprar a briga. No entanto, mesmo sem eu morar no Moinhos, parece-me que essa disputa, pela primeira vez em décadas, está sugerindo que projetos arquitetônicos sem um viés estético relevante serão rechaçados pela população — ainda mais quando a proposta envolve destruir imóveis que cumprem esse papel estético e só não o fazem melhor porque é interesse da construtora transmitir uma imagem de degradação da área.

      No centro mesmo, há uma série de prédios centenários ou quase centenários caindo aos pedaços. Isso ocorre porque os proprietários têm esperança de que peguem fogo, desabem ou aconteça qualquer coisa que justifique a construção de um edifício naquele espaço. Vide a Casa Riachuelo e a Confeitaria Rocco, só para citar as que possuem nomes notórios. Ou seja, o caso do Moinhos só tem mais visibilidade porque é no Moinhos, mas não isso a mim não importa. Não é porque a Luciana de Abreu não é o meu quintal que isso não tem a ver comigo. O que me importa é que está havendo um debate sobre urbanismo, sobre a vida na cidade, e isso me importa.

      É esta a cidade onde quero viver? Uma caixotolândia? Não podemos pelo menos ter caixotes mais arrojados ou projetos ousados que criem novos conceitos, explorem curvas, aproveitem a estrutura geológica de alguma forma, conversem com o antigo ou com a natureza? Para mim, é claro que a questão do patrimônio histórico é um ponto importante, mas não é o único ponto que reverbera no imaginário popular.

      Sobre a pergunta do Adriano, relativo a quem paga o prejuízo da construtora, acho que isso está na conta do risco. Aliás, é ingenuidade achar que o risco não foi compartilhado entre as partes. O valor agregado de um edifício residencial no Moinhos é enorme, e o risco valia a pena. Só para não jogar água fria sem sugerir alternativas, adiro à opinião de alguns aqui do PortoImagem, que sugerem a manutenção das casas com edifícios atrás, conversando com essas casas ou não, de forma que ficassem camuflados sem poluir a contemplação dos transeuntes. Acho que tem muito engenheiro e pouco arquiteto-urbanista nessa fórmula, pois é perfeitamente possível aliar as duas coisas: preservação e inovação.

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      • http://www.facebook.com/flavio.ilha/posts/508650552558702

        Flávio Ilha
        A nota publicada hoje pela Goldsztein é desastrosa e revela uma postura arrogante da empresa, que diz “respeitar aqueles que manifestaram preocupação” com o destino dos casarões da Luciana de Abreu. Uma ova! Às razões:
        1. As seis casas foram construídas para abrigar os mestres-cervejeiros da Cervejaria Continental (depois Brahma) – uma das atividades econômicas mais importantes de Porto Alegre entre os séculos 19 e 20. Cinco delas foram projetadas pelo escritório de Theo Wiedersphan, antes da falência do arquiteto, em 1930. Segundo o memorial descritivo da A.D. Aydos & Cia Ltda (de Alberto Dubois Aydos), que executou a obra para Bernardo Sassen (dono da Cervejaria Becker, que em 1924 se fundiu com a Bopp e a Ritter para dar origem ao consórcio Continental) em 1932, a concepção do projeto ficou a cargo de Theo e o detalhamento técnico coube a Franz Filsinger, que atuou na cidade entre 1925 e 1939. O prédio número 272 é um palacete projetado em 1929 pelo arquiteto austríaco Egon Weindörfer, um dos introdutores da arquitetura moderna em Porto Alegre. Essas informações não foram aceitas pela Justiça e, ao que parece, ignoradas pela empresa, que afirma na sua alegação que “exaustivas” investigações provaram o contrário. Nem precisei ficar cansado para descobrir que isso é mentira.
        2. Não é estranho que justamente um conjunto de seis prédios, contíguos um ao outro (números 242, 250, 258, 262, 266 e 272) e que, isolados, não permitiriam a edificação de um prédio de 16 andares, tenham sido desclassificados coletivamente pela prefeitura? Não é estranho. No final dos anos 1980, um casario da Félix da Cunha ameaçava ser colocado abaixo para garantir o alargamento da rua e o aproveitamento do que restasse dos terrenos para empreendimentos imobiliários. O conjunto de oito casas, bem mais simples que os sobrados em questão na Luciana de Abreu, foram projetados pelo arquiteto tcheco Egon Weindorfer e erguidas em 1931 por Fernando de Azevedo Moura. Sozinhas, não representariam nada em termos comerciais. Já quando juntadas, dariam origem a um terreno com 56 metros de frente numa área nobre de Porto Alegre. As casas foram tombadas em 1989 e hoje abrigam empreendimentos comerciais.
        3. Os tais estudos técnicos alegados pela empresa foram elaborados por um arquiteto e uma historiadora de Santa Maria (portanto, sem relação cultural com Porto Alegre), contrariando pareceres favoráveis de preservação emitidos pelo Iphan (arquiteto Carlos F. de Moura Delphin) e pelo Iphae (arquiteta Maria B. Kother, professor e arquiteto Günther Weimer, professora Briane E. P.Bica, professora Raquel R. Lima, professora Ana R. S. Cé, arquiteto Maturino S.S. da Luz, arquiteta Ediolanda Liedke, arquiteto urbanista Osório Queiroz Jr., arquiteto Renato Mathias, arquiteto Roberto L. Sawitzki, arquiteta Alice S. Cardoso). Técnicos do Ephac (municipal) também deram parecer favorável, mas esse laudo não foi acolhido pelo Conselho do órgão.
        4. Se a Goldsztein quiser construir seu espigão no local, já tem ordem judicial para tanto. Se quiser ignorar as razões que a constrangem a fazê-lo, que ignore-as. Mas não venha MENTIR para os cidadãos de Porto Alegre. Não somos idiotas!!!

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  13. Quem foi lá sentiu o fedor??Peixes podres foram colocados pelos que defendem a derrubada das casas para tentar acabar com o protesto.

    Que vergonha…como dialogar com gente que faz isso??

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