ARTIGO: A dupla Grenal na segunda divisão!, por Luiz Fernando Oderich*

Esse será nosso triste destino. Perguntarão: onde ficaram aqueles tempos de glória em que ambos conquistaram o mundo? Por trás do futebol, há a pujança econômica de uma região e o Rio Grande do Sul afunda.

Não é apenas a perda da BMW para Santa Catarina. Estive há pouco tempo em Pernambuco, um fervilhante canteiro de obras, e é voz corrente no comércio, que mais de cinquenta novas fábricas estabelecem-se por lá. O desenvolvimento é tão grande que o governador tem uma popularidade absurda.

Nós ficamos cantando glórias passadas. Sacrificamos o presente e o futuro para honrar um equívoco do passado. Mais de 50% da receita do Estado é destinada ao pagamento dos aposentados. Outro naco importante paga uma dívida gerada pela dificuldade passada em honrar salários.

Quando as leis foram criadas, havia uma previsão atuarial para justificá-las. Depois Ele nos deu mais tempo de vida. Deus é o neoliberal, ao aumentar nossa expectativa de vida. Isso geraria três alternativas – trabalharmos mais tempo, aumentarmos a taxa de contribuição ou diminuirmos nosso ganho depois de aposentados.

Os deputados conseguiram criar uma opção pior. Não fazer nada. Desse modo, agora não é possível pagar corretamente quem trabalha. Tiramos verbas da educação, da segurança, da saúde, da infraestrutura, para pagar quem descansa. Os servidores inteligentes entenderão que não sou contra eles. O futuro que se nos avizinha é o da Grécia, onde nem isso é possível.

Os equívocos não param por aí. Impedimos o surgimento de criação de camarões no litoral. Animal exótico? Tão exótico quanto o cavalo, a galinha e a ovelha. Enquanto isso, deixamos crescer uma favela na cabeceira do aeroporto. Porto Alegre expulsa suas indústrias, mas não consegue tirar do chão nosso “Porto Madero”. Construímos “espaços culturais” que, para funcionar consomem recursos públicos, e temos um ridículo centro de exposições que poderia gerar empregos. Deixamos morrer nosso comércio de rua, que tem a nossa cultura, por falta de estacionamento. Os americanos são claros “no parking, no business”. Nossa falida economia não consegue manter times do interior nas séries B e C.

Um craque de futebol, cheio de regalias, lota os estádios. Ao redor do estádio lotado gravitam pipoqueiros, taxistas e restaurantes. Trazer uma grande indústria é trazer um craque. É riqueza.

Desculpem-me os que pensaram que eu falaria de futebol.

* Luiz Fernando Oderich é Presidente da ONG Brasil Sem Grades

Fonte: ONG Brasil Sem Grades

O artigo também foi publicado no Jornal ZH.



Categorias:Artigos, Economia Estadual

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26 respostas

  1. E porque os nossos governantes não berram contra isso?

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  2. O Rio vai perder uma parte dos royaltes.
    E daí? A Lei kandir há décadas nos tira dinheiro das exportações e o governo federal não repõe. Há quantos anos o RS exporta para o bem do Brasil na balança comercial, sem que o estado tenha retorno com isso? O que farão com o petróleo é o mesmo que fazem conosco gaúchos há anos.

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    • Os políticos estão reclamando porque não terão mais a grana extra para patrocinar finais de semana de orgias com putas pagas a preço de ouro. Tem cidades do Rio que recebem 1 bilhão com os royalties mas que tem sérios problemas de saúde e educação. Para onde vai esse dinheiro?

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  3. Concordo que o RS ficou atrás em muita coisa. mas se voce olhar os mesmos posts abaixo desse blog vai ver que tem um montao de industrias se estabelecendo no RS também.
    Eu nao lamento a ida da BMW para SC.
    É bom pra SC, é próximo de nós,
    é bom pra nós tambem. Vamos deixar de ser bairristas.
    Pernambuco? Quanto tempo ficaram sem crescer, é logico que precisam ser um canteiro de obras.

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    • O Paraná também ”perdeu” a BMW para SC, além da Nissan, que se transferiu para o Rio, e a imprensa paranaense já fala em desindustrialização do estado. Temos de ter um cuidado com essa imprensa…

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    • Não adianta esse pessoal dizer que tal capital do nordeste está “se industrializando” e tal. De que adianta se não tem pessoas qualificadas para trabalhar por lá? Salvador por exemplo, uma cidade que não consegue manter as pessoas lá pela baixíssima qualidade de vida. O mesmo serve para Fortaleza e Recife. É tudo muito bonito para turista, mas morar lá é outra história completamente diferente.

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  4. Dias atrás eu disse a mesma coisa com outras palavras. Com tantas pessoas pensando em uma mesma direção, será que vamos deixar que a turma do contra, retrógrados vença? Eu já morei em barcelona, Porto, passo férias em Floripa desde que o mundo é mundo e conheço mais algumas cidades. Não falo isso me exaltando, apenas ilustro que mesmo eu conhecendo outros lugares maravilhosos eu não quero viver em outro lugar que não o RS. Adoro viajar e que todas as pessoas possam viajar e conhecer lugares belíssimos mundo afora, mas o nosso lugar é aqui e como geração pensante e que pode realmente fazer algo, não podemos deixar o barco afundar. Como um titanic da vida, o RS está com dois dos cinco compartimentos inundados, mas podemos fazer com que mesmo assim, não afunde.

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  5. sou Gremista,
    mas tenho vergonha vendo aqueles bobos da torcida geral com a faixa “república riograndense”,
    pior ainda é aquele torcedor de bombacha que sempre aparece na tv,
    …eles se acham os europeus do Brasil…kkk
    Ainda…porque a torcida do Grêmio canta em espanhol ????
    Pior ainda, é ver os gaúchos passeando pela Av. Atlântica no Rio, praia de Copacabana 40 °C de cunha e chimarrão, tomando uma água quente…kkk…é muito ridículo.
    O Gaúcho acha que é o dono do Rio de Janiero,
    Será que eles sabem que P.Alegre tem 1,4 milhão de habitantes e apenas 1 prédido com mais de 30 andares????
    …kkk.

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    • Então Kaka, eu sou gaúcho e moro no Rio de Janeiro, tomo sim meu chimarrão sob um sol de 40 graus e não vejo nada errado nisso. Aliás tomando algo quente no sol é como andar cheio de roupas como no deserto do Saara, torna-se um isolante e até diminui o calor! O gaúcho não acha que é dono do Rio de Janeiro, apenas gosta de morar ou passear em uma cidade diferente de Porto Alegre e não é apenas por Porto Alegre ter apenas um prédio acima de 30 andar.. até porque Copacabana 90% dos prédios tem menos de 12 andares como vc deve saber muito bem! Enfim, não adianta ficar lembrando de um passado glorioso, como era o caso do Rio de Janeiro que só lembrava do tempo em que era a capital do Brasil, o de os gaúchos deveriam fazer é tomar como exemplo o próprio Rio de Janeiro que se reinventou e hoje já colhe os frutos, como um Porto Maravilha, UPP’s, UPAS, Olimpíadas, centro das atenções na Copa do Mundo, e mtas outras coisas, mas tudo isso não cai do céu, tem que trabalhar muito olhando para o futuro e não para o próprio umbigo!

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    • Nunca vi tantos comentários sem nexo e sentido como nesse seu texto, meu camarada. Não confunda as coisas (principalmente no que diz respeito aos gaúchos no Rio).

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      • Uma coisa que eu gostaria de saber: para onde foram os traficantes dos morros do Rio? E outra: e o RJ sem os royalties? E mais outra: se houvesse uma bacia de Campos no RS, os royalties seriam tão desigualmente repartidos?

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