ARTIGO: Onde está o nosso mobiliário urbano ?, por Adeli Sell

Pensem nos pontos de táxi, paradas de ônibus, guaritas, sanitários, telefones públicos, lixeiras, placas de sinalização e outros equipamentos que integram o paisagismo e a acessibilidade urbana de Porto Alegre. São atrativos sob o ponto de vista da estética, conservados e acolhedores? Não me parecem.

Nosso mobiliário urbano degradou e ruiu. As paradas de ônibus, em sua maioria, estão em condições precárias, com manutenção deficiente, enferrujadas e vandalizadas. Já tivemos bons exemplos no passado, que além da beleza garantiam segurança por causa da iluminação trazida pela publicidade. Mas há mais de oito anos cessou a concessão e nada foi feito para que pudéssemos ter paradas uniformes, com cobertura, garantindo abrigo e conforto.

As deficiências de projeto também chamam atenção: não há uma padronização no design. Há dias constatei pelo menos sete tipos diferentes de paradas de ônibus. Pode não parecer importante isso num primeiro momento, mas um projeto global significa padrões de sinalização, segurança e ergonomia. Algumas sequer possuem um apoio para descansar o corpo. E pouquíssimas informam sobre as linhas de ônibus que ali passam.

Sem contar os demais elementos do mobiliário. Os totens para afixar eventos e campanhas da Prefeitura, por exemplo, também estão sucateados, mais parecem “troncos” fantasmas na selva urbana. Temos que visualizar além. Nosso mobiliário urbano deve ser, além de funcional, belo, pois a estética urbana é também um alicerce de auto-estima cidadã.

Ainda temos bancas de jornal daquele velho tipo dos anos 70, as amarelinhas. Deveríamos ter modelos modernos, como aqueles que conseguimos introduzir no Centro Histórico em 2003 quando fui titular da Secretaria da Produção, Indústria e Comércio – SMIC. Apesar da Lei das Bancas de Chaveiros já ser velha, apenas agora as novas estão sendo colocadas em escassos pontos da cidade. Por que tanta demora?

A cidade cresceu, e mesmo assim diminuíram os banheiros públicos. Continuam como sempre: caindo aos pedaços. Infelizmente, nossa cultura não tem ajudado em nada na evolução destes equipamentos tão necessários numa cidade civilizada.

Por que não termos quiosques em praças e parques? Modelos especiais, com limites, encontrados também em qualquer parte do mundo. Mas aqui o agente público prefere manter o velho “trailer” no Parque Marinha do Brasil, por exemplo.

Se isto já são problemas, agora eu pergunto, por que não colocar o protótipo de Parada de Táxi, ofertado pela Associação do Aço? Qual a dificuldade? Finalmente, aqui na Câmara, há exatos vinte meses nos foi prometido uma nova licitação e até agora nada aconteceu. Afinal, onde está (mesmo) nosso mobiliário urbano?

Adeli Sell,  Vereador



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, Mobiliário Urbano

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63 respostas

  1. Um que está fazendo falta são os paraciclos, mas a EPTC nem deixa que os proprietários de imóveis os forneçam e os instalem gratuitamente nas áreas públicas porque não há lei municipal disciplinando o assunto. É com você, vereador!

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  2. Gente, acreditem, não adianta falar muito, apenas uma palavra diz tudo. ” MANUTENÇÃO ” enquanto não houver manutenção Porto Alegre continuará assim, triste, suja e destruída….Não limpem suas casas um mês e entenderão o que é manutenção….

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  3. O grande problema é que mobiliário urbano de qualidade não custa muito dinheiro, e não enche os bolsos de empreiteiras financiadoras de campanha.

    Por isso é que vemos uma prefeitura obcecada com viadutos e displicente com lixeiras e banheiros públicos.

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  4. Comentando o post… o nosso mobiliário tá escondido atrás do vandalismo e do descaso.

    Acho que nem vale entrar no mérito de padronagem e design enquanto as “otoridades” não darem jeito nesse bando de desocupados que destrói a cidade inteira!
    Até as lixeiras de FERRO – bonitas ou não – eles conseguem destruir!

    Gente, eu moro na ZS e a parada que eu pego ônibus tá pixada com uma facção (??) de ESTEIO!
    Que diabo esse cara vem importunar aqui?

    Quando conseguem pegar um babaca fazendo arruaça, dão um sustinho na delegacia e mandam embora. Ou vocês acham que vão ocupar vaga em presídio com um pixador ao invés dum criminoso mais pesado?
    Se já vão soltar uns 350 do semi aberto porque não tem lugar…

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  5. O vereador, ao que parece, está abrindo os olhos – lembro da piada: “minha gata teve 9 gatinhos, todos são PT, disse a tia no domingo. Na quarta, disse que 7 gatinhos eram do PT. – Mas não eram 9, tia, pergunta a sobrinha? “é que dois já abriram os olhos, responde…”

    OK, falando sério, falta tudo, educação para um povo vândalo, políticos sérios e administração profissional. Nada que 30 anos não resolvam, se começarem já – como na Coréia (do sul, evidentemente).

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  6. Não gosto do vereador, aquela reação virulenta dele quando um cidadão foi denunciar a máfia do nosso transporte público me deixou com nojo desse sujeito. Mas o texto dele faz muito sentido. De quem é a culpa eu não sei (nem quero saber). Eu gostaria de ver alguma proposta, o vereador fez metade do caminho, falta fazer o resto do trabalho dele que é, quando notar um problema, propor soluções que vão além da casinha de aço pro taxi,

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  7. O Adeli Sell NÃO FOI REELEITO vereador. Por que mantém o título?

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    • o mandato não terminou.

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    • Ué, pelo que sei o mandato ainda não acabou.

      🙂

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    • Renan,
      Até o dia 31 de dezembro sou vereador.
      Nunca ostentei nem vou ostentar o que não sou.
      Sou professor por formação e o diploma não vão me cassar. ESte título vou usar.
      Mas posso também ser apenas Adeli Sell, ou seja, um cidadão igual a vc, com opiniões.
      Vamos fazer o debate que vale, vamos nos unir e mudar, ajudar, todos sabem que sou do PT, mas isto não me tira a condição de pensar a cidade. E vc sabe que sobre urbanismo não tem unanimidade nos partidos muito menos na cidade.

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  8. Este senhor, Alelli Sell, votou CONTRA o Pontal do Estaleiro.

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    • Se você quiser minha declaração de voto, posso te mandar. Se mandar teu endereço te mando meu livro Porto Alegre a Modernidade Suspensa. Fiz mais do que muitas a favor do Estaleiro. Todos sabem que defendi, defendo uso misto não só lá, mas em toda a cidade.
      Adeli

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