Freeway – 40 anos

Aproveitando o ensejo da inauguração da BR-448, Rodovia do Parque, vamos falar agora da Freeway, que completou 40 anos em setembro último. Por sinal, não muito comentado na imprensa.

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Foi no dia 26 de setembro de 1973 a inauguração da auto-estrada Porto Alegre – Osório, que revolucionou a ida para o litoral norte do RS. Foi a primeira auto estrada brasileira. As duas pistas, separadas por um largo canteiro central, com duas faixas de rolamento em cada sentido, estreou com a velocidade máxima permitida de 120 km/h. Isso encurtava sobremodo o tempo gasto para percorrer a distância de 96,6 quilômetros que separam Porto Alegre de Osório. O trajeto pode ser feito em cerca de 1h.

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A freeway é parte integrante da BR-290 que liga o município de Uruguaiana, na fronteira com a Argentina, e a cidade de Osório com o total de 726 Km.

Cerimônia de inauguração da Freeway, em 26 de setembro de 1973. Foto: Assis Hoffmann, Centro de Memória da Concepa

Cerimônia de inauguração da Freeway, em 26 de setembro de 1973.
Foto: Assis Hoffmann, Centro de Memória da Concepa

Vista aérea da freeway na altura da Lagoa dos Barros. Foto: Portal RP

Vista aérea da freeway na altura da Lagoa dos Barros. Foto: Portal RP

Nos tempos do “milagre econômico”, do General Emilio Garrastazu Médici (presidente de 1969 a 1974), a estrada marcou nosso ingresso numa nova era. Dois meses após a rodovia ser entregue ao público, começou a cobrança de pedágio. Em 1989, ele foi extinto. Em 1994, o governo federal criou o Programa de Concessão Rodoviária. Em julho de 1997, a Concepa ganhou o direito de administrar a estrada por 20 anos.

O pedágio de Osório, inaugurado 2 meses após a estrada. Foto: Gilberto Simon

O pedágio de Santo Antonio da Patrula, inaugurado 2 meses após a estrada. Foto: Gilberto Simon

Se em 1973, quando foi inaugurada, nos momentos de pico o movimento chegava a 300 veículos por hora, hoje, quando está em sua capacidade máxima, chegam a passar 85 carros por minuto, o equivalente a 5 mil veículos por hora, ou seja: quase 17 vezes mais. Mesmo com as diversas reformas, o aumento da largura e o acréscimo de mais uma pista, a freeway, às vezes, não dá conta.

Os mais velhos ainda lembram que antes da construção da autoestrada, os porto-alegrenses iam para praia pela ERS-030, a chamada “estrada velha”. A longa estrada, via Gravataí (se passava dentro da cidade), Glorinha, Santo Antônio da Patrulha, (intervalo obrigatório para descansar e  comer os famosos sonhos típicos da cidade), finalmente chegava-se a Osório, sinal que o mar se aproximava. A vida no ritmo possível da época. A velocidade era fiscalizada por carimbos impressos em cartões-ponto de cartolina nos postos de controle da Polícia Rodoviária.

Mais algumas fotos da estrada:

Foto: Gilberto Simon

Foto: Gilberto Simon

Congestionada nos finais de semana e feriadões, uma vista do viaduto da RS-040. Foto: Gilberto Simon

Congestionada nos finais de semana e feriadões, uma vista do viaduto da RS-040. Foto: Gilberto Simon

Vista da Freeway junto a Porto Alegre, zona norte da cidade. Foto: Concepa

Imagem atual da Freeway junto a Porto Alegre, zona norte da cidade. Foto: Concepa, 22/12/2013

Jornais da época da inauguração:

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Fontes: Wikipédia, ZH, Concepa, Portal RP.



Categorias:Meios de Transporte / Trânsito

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11 respostas

  1. Excelente reportagem!!! A quantidade de carros que passam por hora aumentou 17 vezes. Que coisa, tchê! O carro virou propriedade tão importante quanto imóvel. Uma pergunta: Quantos anos levou para a construção da Free-Way?

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  2. Belíssima estrada!

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  3. Excelente estrada, uma das melhores do Brasil, pelo que vejo falarem.
    O problema da freeway nunca vai ser resolvido se não criarem outra faixa nas rodovias que levam ate as praias, é um funil, não tem o que fazer.
    Se fosse 3 faixas até a altura de Capão, acho que ja evitaria isso, mas como só ocorrem em grandes feriados, acho desnecessário.

    Sempre me falaram que antigamente não havia um limite de velocidade nela, que era show ver as barcas v8 voando pela freeway, mas na reportagem consta 120 km/h (só aqui mesmo pra reduzir a velocidade numa auto estrada dessas, que comporta até mais que isso), isso seria pela falta de fiscalização da época, o limite de 120 km/h era em alguma outra parte da rodovia, ou são apenas boatos?

    Uma coisa é certa, pra quem vai pra fronteira, a média de velocidade é bem alta, não existe pardal (ou não existia), e direto passam carros a mais de 160km/h por ti.

    E o interessante é que só se vê caminhões acidentados pra la.

    De todas as vezes que eu fui, tirando os diversos caminhões que vi tombados (acho que a maioria por dormirem no volante), só vi um acidente de carro, e na hora tava caindo uma chuva absurda e estavamos todos andando a uns 50km/h pela falta de visibilidade.

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    • Bah, o pessoal que culpa a velocidade por tudo vai te trucidar aqui… Aí tu pergunta pra eles se tá morrendo mais gente na freeway depois que aumentaram o limite de 80 pra 110 km/h.

      Vou deixar uma noticia aqui. “Infelizmente” é da ZH, mas é o que o google me trás quando eu pesquiso…. Mas imagino que a ZH não esteja, tipo, mentindo descaradamente no que é afirmado na notícia, não é?

      “Limite de 110 km/h na freeway reduz multas em 25%. Acidentes na via caíram em 10% após velocidade máxima aumentar em 10 km/h”

      http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/noticia/2012/01/limite-de-110-km-h-na-freeway-reduz-multas-em-25-3637543.html

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      • Isso é uma prova que a via tem a sua velocidade operacional, e é preciso estudos para baixar a velocidade dela, e não sair aplicando “traffic calming” baixando a velocidade das vias para 30 km/h a torto e a direito.

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      • E mesmo assim tem policial rodoviário banana dando entrevista dizendo que é um “absurdo” ter tantos motoristas andando acima da velocidade permitida. Isso é fato – aumenta a velocidade, aumenta a atenção. Em auto-estradas, não faz sentido ter velocidade reduzida.

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      • A claro, afinal o que se aplica a uma via expressa, sem zonas de residências densas em volta, sem cruzamentos, etc certamente se aplicam a Ipiranga ou a Beira-Rio.

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  4. Excelente matéria, Gilberto !

    :

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  5. Lembro-me que na época o compromisso da Concepa era de, em dez anos, quadruplicar a pista em ambos os lados… Ninguém mais fala nisso e a empresa Concepa já passou a bola adiante para a Triunfo!!!

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  6. Sem dúvida a free-way é uma estrada boa ou muito boa. Mas afinal pagamos quase 20 reais para ir e voltar a Osório (180km). Não dá pra dizer que é barato, mas perto daquele absurdo que foram (são) os pedágio$$$$ do Governo Britto, onde se pagava tanto ou mais para rodar 20-30Km (talvez os números não sejam exatamente esses, mas é quase isso), em estrada de pista simples!! com (sobre)preço de auto-estrada norte-americana de 6 pistas!!
    Ainda sobre a free-way, a velocidade máxima era sim de 120Km/h. Muita gente pensa que foi reduzida para 80 Km/h (e ainda se vê gente usando esse argumento, na verdade um sofisma, em programas de rádio e TV) por causa da segurança…Mas na verdade foi a crise do petróleo nos anos 70, que fez o governo federal baixar o limite para 80Km/h, para “economizar” combustível.

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    • Bem lembrado isto da crise do petróleo, é verdade. Basta olhar no google para ver que a freeway tem curvas com raio de quilômetros, tal qual estradas alemãs.

      Dai vem a ONG da mulher que teve um filho que morreu voltando da balada na carona de um amigo bêbado reclamar que aumentaram o limite de velocidade.

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