Cais quer abrir primeiro armazém ainda em 2018

No dia da assinatura do início das obras de revitalização, ontem, empresa anunciou meta de lançar operação parcial dos galpões repaginados até o fim do ano, para começar remuneração dos investidores. Primeira fase deve ser concluída no fim de 2019

Gestores da obra planejam terminar trabalhos antes do prazo de dois anos para pagar investidores e ganhar confiança da população

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Sartori assina a ordem de início das obras, ao lado de Marchezan (2º da esq. para a dir.) e Criscio (à dir.) | LUIZ HAVES/PALÁCIO PIRATINI

Com orquestra tocando Vivaldi na abertura e ampla presença de integrantes dos poderes Executivo e Legislativo municipais e estaduais, foi assinada ontem a ordem de início das obras de revitalização do Cais Mauá. Nesta primeira fase, serão restaurados os armazéns, construídos entre1917 e 1927. Os recursos para tanto, calculados em R$ 140 milhões dos R$ 500 milhões previstos para toda a obra, estão garantidos, conforme o presidente do Cais Mauá do Brasil, Vicente Criscio. Mas há vontade de alterar alguns pontos do projeto.

Um plano em vista é terminar os trabalhos antes do prazo de dois anos. Os objetivos são reduzir o período em que os investidores não terão lucro e ganhar a confiança da população. Afinal, passaram-se mais de 30 anos desde que se começou a planejar a revitalização. “Sabemos que a população já ouviu muitas promessas que não conseguiram cumprir. Vamos procurar acelerar em cima do cronograma original”, diz Criscio.

João Carlos Mansur, diretor-presidente da Reag Administradora de Recursos Ltda., que controla o fundo de investimento Cais Mauá, confirma: “Queremos ter algum armazém em operação já neste ano. Estamos apalavrados com quem administrará o centro de convenções e o complexo hoteleiro”.

Fala-se em mudanças no acesso das pessoas. Os gestores defendem que deve haver um jeito mais fácil de chegar ao empreendimento. Intervalos maiores no Muro da Mauá também são pensados. “É óbvio que a gente gostaria de ter um acesso mais facilitado para que o público pudesse chegar”, argumenta o presidente.

Desde a licitação, em 2010, é a quarta discussão sobre acesso. Primeiro, era o rebaixamento da avenida João Goulart, depois, a colocação de passarela e, por último, a
travessia a pé pela avenida Mauá. Sobre estacionamentos, há uma unanimidade: deve
haver vários menores, e não um só, grande. O shopping, que ficará ao lado da Usina do Gasômetro, não seguirá a ideia original e deve virar um open mall (shopping a céu aberto). A estrutura poderia sair antes das torres. Para essas duas etapas, ainda não há dinheiro, segundo Criscio. “Precisamos das aprovações para ir buscar os recursos.” Já a restauração dos armazéns começa na segunda-feira. “As obras devem estar a pleno vapor em três meses”, afirma Criscio.

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Fases 2 e 3 terão oposição

Tradicional questionadora do empreendimento, a Amacais (Associação Amigos do Cais do Porto) deverá focar suas atenções nas fases 2 e 3 do projeto. Segundo o historiador Francisco Marshall, a restauração é obrigatória. “Está abandonado. Era responsabilidade
deles conservar isso, mas deixaram se degradar”, critica, apontando para os armazéns em péssimo estado. Marshall diz ainda que houve “fraudes em fundos de previdência”, citando os institutos que aplicaram, no fundo do Cais Mauá, valores por vezes acima do plausível, dado o risco do investimento.

O ex-vice-prefeito Sebastião Melo, que ao longo do governo de José Fortunati acompanhou o processo, comemorou o início da restauração dos armazéns, concordou com a construção das torres mas mostrou uma posição crítica ao shopping. Tem que rediscutir. O projeto foi desconfigurado por questões econômicas. Esse shopping seria um puxadinho ou um camelódromo.”

Troca de gestores Ex-presidente do consórcio, Júlia Costa disse que a troca, nesta semana, da administradora anterior do fundo do Cais Mauá, a Icla Trust, pela Reag é um movimento normal de mercado. “As fases da obra exigem expertises diferentes. A gente [Icla Trust] é mais para estruturação de projetos. A Reag é para obra.” Ela garantiu que deixou o negócio com os valores necessários para iniciar o empreendimento.

Cerimônia teve discursos inflamados

Nos discursos sobre a assinatura da ordem de início das obras do Cais Mauá ficou aparente a tranquilidade dos gestores do consórcio na comparação com os políticos, que usaram um tom mais acima para cutucar os opositores ao empreendimento.

“Chegamos de mala e cuia”, “cidade encantadora, bonita”, “população incrível” e outras frases para agradar aos gaúchos e porto-alegrenses foram ditas por Mansur. Já o governador José Ivo Sartori criticou. “Encerramos um longo capítulo de discussões, algumas construtivas, mas outras com alguns ranços que não nos levaram a nada.”

Antes de Sartori, o prefeito Nelson Marchezan Jr. havia ido mais na ofensiva. “Desculpas pela máquina pública e obrigado por vocês não terem desistido”, afirmou aos gestores do Cais Mauá. A seguir, apontou para os armazéns: “Quem olha para lá tem a visão da tristeza porque um pequeno grupo ideológico dentro  e fora da máquina pública trava a nossa cidade há décadas”. Por fim, ligou as dificuldades na prefeitura às do Piratini “É inacreditável que não se consiga quórum na Assembleia Legislativa”, acusou, sobre votações de projetos do governo do RS.

Jornal Metro Porto Alegre | Reportagem André Mags | 02/03/2018

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Categorias:Outros assuntos, Projeto de Revitalização do Cais Mauá

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16 respostas

  1. Discurso hipócrita desses políticos. Os grupos contra o projeto não ganharam nada, não conseguiram nenhuma liminar nem nada, a demora é exclusiva dos órgãos públicos em emitir as licenças.

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  2. Fantástica notícia. Pretendem (com otimismo embutido) abrir UM (1) armazém em apenas 9 meses. Isso é um recorde (considerando-se que só vai demorar 9 meses mesmo). kkk Então vamos a uma regrinha de 3. 9 meses pra abrir um armazém. Total de 6 armazéns, pois o A7 será demolido e não conta. 9 x 6 = 54 meses para obrar todos os armazéns. Ou seja, pela matemática do andamento da obra, 4 anos e meio para conclusão dos armazéns, a parte fácil. Depois vem a parte hardcore do shopping e dos grandes prédios comerciais. Então por cálculos conservadores, se o fundo não se retirar ou não falir nesse meio tempo, estima-se que todo o empreendimento fique pronto, na melhor e mais otimista das hipóteses, em 10 anos. Olha, eu já vi um bocado de empresa e fundo falir em muito menos tempo do que isso.

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    • belo comentário!

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    • Nossa nao viaja! Eles podem pelo menos acelerar a obra de um deles para a entrega! Nada a ver… eles podem reformar todos simultaneamente… nao um a cada 9 meses kkkk


      https://polldaddy.com/js/rating/rating.js

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    • Pelo visto tu não tem nenhuma noção de planejamento mesmo. Melhor recolher-se a sua insignificância e deixar pra quem sabe.

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      • Não se trata de minha falta de noção de planejamento. Trata-se apenas da notícia e proporcionalidade referente às declarações da empresa. O gestor disse que em 9 meses entregarão um armazém. Outra coisa, e mais importante ainda; tenha mais educação ao teclar. Eu não te chamei de insignificante ou idiota, portanto não vou permitir que tu te refiras à minha pessoa nesses termos. Não seja moleque.

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        • Trata-se apenas de interpretação de texto e alguma noção prévia de planejamento. Dica: para evitar ser adjetivado, teça melhores comentários.

          Abraço.

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          • O seu juízo sobre qualidade de comentários é atinente apenas a você mesmo. Questão de foro íntimo. Não tente nortear o juízo alheio. Participe do debate e não resvale na tentativa juvenil de cercear os demais debatedores; isso é demonstração de incapacidade para dialogar.

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    • As obras, como é normal em qualquer lugar, podem ser executadas simultaneamente e finalizadas em tempos distintos e não de parte em parte. Não necessariamente o tempo de obra e entrega de cada armazém segue uma progressão aritmética do tipo 9+9+9+9…
      Vale considerar (e já aviso de antemão) que a entrega do espaço com a parte civil acabada não significa que ele estará em funcionamento logo em seguida pois, mesmo que já exista um locatário, serão necessárias todas as etapas normais de licenciamento pós obra (vistorias, habite-se, alvarás, pareceres, etc) e isso, em Porto Alegre, demora bastante (talvez mais que a própria obra civil em si).Lembre que ali interveem, além de prefeitura, SPH, Patrimônio, bombeiros, entre outros).
      Outro ponto que o texto deixa bastante claro e que já foi motivo de questionamentos aqui no fórum/blog/site é o fato de se iniciar a obra pelos armazéns, taxados como “a área de menor retorno financeiro”. Para mim está claro e bem explicado o por quê.

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  3. Achei ótimo e bem racional. Essa divulgação de dois anos para abertura a princípio me causou estranheza, porque meu, são uns armazéns totalmente desprovidos de alguma sofisticação arquitetônica, tratando-se de reforma bem básica mesmo. O próprio espaço neutro e esse vazio marcante dos tais armazéns é um ponto bem favorável, porque se forem contratados arquitetos competentes com visão de mundo e que digamos se inspirem no que se faz na Europa em áreas similares, terão tudo para criar ambientes incríveis. Isto tudo pode ficar e tomara que fique muito atraente, porque o potencial é grande e basta ter competência para moldar este Cais refuncionalizando-o para ser uma grande opção de vida social e um baita cartão-postal da cidade, e esse consórcio não deve estar brincando de jogar dinheiro fora né, como tanto gosta de fazer poder público.

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  4. Deveriam fazer o “shopping” antes, sem isso o que levaria as pessoas até la para consumir nesse comércio dos armazéns??(sem estacionamento, e tendo o centro ao lado)
    Imagino que tudo sera caro nesses armazens, ficarão vazios durante a semana, assim como o café do lago na redençao.
    Porém o da Redenção é o unico comercio do espaço, aí serão vários concorrendo entre si.
    Só um chão pavimentado e o por-do-sol sustentarão esse comércio?? que fé.
    Poderiam usar um armazem desses de forma mais singular, fazer dentro uma pista de skate ou qualquer coisa que vá além do publico ‘passeio’ dos fins de semana.
    Esse projeto só tem como dar certo inteiro, com o shopping e os prédios comerciais ao lado. Só com público passeio vai ser difícil manter isso até a conclusão do projeto.

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  5. então Marchezan disse que isso só não saiu do papel até hoje por um pequeno grupo ideológico?? Esse é bom no populismo, tira o seu da reta e constroi seu discurso em cima dum inimigo em comum a todos.
    Até parece que os ‘1%..’ de pessoas contra a revitalização teriam voz num empreendimento milionário kkkkkk, tanto é que não tiveram. Políticos fazendo politicagens…

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