Cenário favorável ao metrô

TERCEIRA CHANCE – A hora do metrô da Capital

Alinhamento entre governos municipal, estadual e federal deve favorecer repasse de recursos ao projeto

Depois de passar em branco em dois anúncios de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em 2009 e em 2010, o projeto do metrô de Porto Alegre poderá finalmente entrar nos trilhos. Com o atual alinhamento político entre os governos municipal, estadual e federal, acrescido dos presidentes da Assembleia Legislativa e da Câmara dos Deputados, forma-se um cenário favorável à concretização de um sonho de 21 anos.

Na próxima quarta-feira, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, receberá em Brasília uma comitiva gaúcha para tratar da proposta. O objetivo é sair do encontro com uma sinalização favorável à inclusão do metrô na segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), cujas obras contempladas devem ser apresentadas no segundo semestre pela presidente Dilma Rousseff.

A reunião ocorreria ontem, mas foi adiada a pedido da ministra, que solicitou mais tempo para se instruir melhor sobre o projeto, amparada por dados técnicos. Liderada pelo prefeito José Fortunati (PDT), a comitiva deverá contar com o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Beto Albuquerque (PSB), e os presidentes da Trensurb, Marco Arildo Cunha, da Câmara, Marco Maia (PT), e da Assembleia, Adão Villaverde (PT).

O governo federal não antecipa a relação de obras do PAC 2, mas informa que o volume de recursos deve ser parecido com o liberado na fase anterior, anunciada em dezembro pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que envolveu o montante de R$ 18,5 bilhões – R$ 924 milhões deles para 39 municípios gaúchos.

Na nova fase, devem ser contemplados projetos de mobilidade urbana em cidades brasileiras, o que é visto por Fortunati como uma boa chance para projetos de construção de metrôs em Porto Alegre, em Curitiba e em Belo Horizonte.

– Em primeiro lugar, vivemos um momento econômico excelente no país. Se não estivéssemos bem, não pensaríamos no metrô. Em segundo lugar, a conjugação dos governos federal, estadual e municipal é indiscutível que tem peso – avalia Fortunati.

Capital privado, administração pública

O projeto de ampliação do metrô da Capital tem custo estimado de R$ 2,3 bilhões, com participação dos governos federal e estadual, da prefeitura e da iniciativa privada. O projeto básico da linha de 15 quilômetros de extensão prevê a criação de uma empresa pública para administrar o metrô.

– Não devemos esperar todo o recurso de uma vez. Queremos assegurar o compromisso do governo com a obra. O importante é começar – analisa o secretário Beto Albuquerque.

Presidente da Trensurb, Marco Arildo Cunha destaca que, além do momento político favorável, o modelo de gestão proposto, com parceria da iniciativa privada, torna o projeto viável economicamente.

– Quando todos que têm poder de decisão estão alinhados, tudo fica mais fácil. Antes o Fogaça (ex-prefeito de Porto Alegre, do PMDB) tinha como prioridade os Portais da Cidade. Agora, Fortunati e o governador Tarso Genro têm como prioridade o metrô.

Nas eleições municipais de 2008, Maria do Rosário (PT) e José Fogaça polarizaram o debate sobre o trânsito de Porto Alegre na questão metrô versus Portais. Os petistas diziam que os projetos eram conflitantes e que a proposta municipal representaria a volta da “baldeação”.

Fogaça defendia os dois como solução conjunta para os problemas do transporte coletivo na Capital. Enquanto debatiam, nenhum dos dois projetos avançou.

 

Histórico de promessas
– 1990 – A Trensurb apresenta projeto de metrô em Porto Alegre com 13,3 quilômetros, do Centro até o Porto Seco. Segundo a empresa, a obra é imprescindível porque o transporte no trecho está saturado.
– 1997 – O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, e o governador do Estado, Antônio Britto, lançam em cerimônia no Palácio Piratini o edital de concorrência internacional para as obras da chamada Linha 2 do metrô de Porto Alegre. O início dos trabalhos é anunciado para maio de 1998.
– 2001 – A prefeitura institui grupo de trabalho para acompanhar os estudos para a implantação de novas linhas de metrô.
– 2002 – A Trensurb apresenta a versão final do seu projeto da Linha 2.
– 2003 – A Trensurb, a Metroplan e a EPTC dão início ao trabalho conjunto para expansão do sistema metroviário.
– 2006 – O estudo de planejamento estratégico de Integração do Transporte Público Coletivo da Região Metropolitana é concluído e entregue ao ministro das Cidades, Marcio Fortes, ao governador Germano Rigotto e ao prefeito José Fogaça.
– 2009 – Com o projeto de traçado alterado, a Trensurb busca na Copa de 2014 a chance de conquistar recursos federais para o metrô, levando-o ao Estádio Beira-Rio. Em novembro, em uma reunião em Brasília, o governo federal comunicou ao prefeito José Fogaça que não liberaria dinheiro para o projeto, sob o argumento de que a linha da Copa não ficaria pronta a tempo da realização dos jogos.
– 2010 – O anúncio de mais uma fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) reacendeu a promessa do metrô de Porto Alegre, mas o governo federal deixou o projeto de fora da relação de obras anunciadas em dezembro.

Zero Hora

Cenário favorável ao metrô

O alinhamento político entre os governos municipal, estadual e federal, acrescido dos presidentes da Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados, forma um cenário favorável à concretização do projeto de metrô de Porto Alegre. Na próxima quarta (16), a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, receberá em Brasília uma comitiva gaúcha para tratar da proposta. O objetivo é sair do encontro com uma sinalização favorável à sua inclusão na segunda fase do PAC, cujas obras contempladas devem ser apresentadas no segundo semestre pela presidente Dilma Rousseff.

Affonso Ritter

Share



Categorias:Metro Linha 2

Tags:, ,

3 respostas

  1. É… Enquanto o império digo, união, continuar sugando a riqueza de estados e municípios vamos ter que conviver com esta humilhação: implorar por recursos que são nossos à metrópole.

    Curtir

  2. “Esqueçamos esse papo de metrô” e as verbas da União (que existem sim; não para todos) irão para Belo Horizonte, Salvador, Recife e outras cidades de estados brasileiros mais unidos na busca da realização dos sonhos e necessidades locais.

    Curtir

  3. Eu não entendo certos tipos de raciocínios nem inferências. Está sendo noticiado que a Dilma acaba de cortar 50 bilhões do orçamento da União. Há uma contenção de despesas com o objetivo de frear a inflação. Ocorrerão vários cortes nas emendas parlamentares que destinariam investimentos aos estados. Agora surge esse boato de metrô em Porto Alegre. Puxa…se antes do corte orçamentário, o Fortunati já tinha ouvido um sonoro NÃO ao metrô por parte do PAC da Copa…imaginem agora com a urgente contenção de gastos públicos!

    Esqueçamos esse papo de metrô. Não vai sair, não tem verba e não adianta voltar ao tema..pois é assunto superado.

    Curtir

%d blogueiros gostam disto: