PF investiga fraudes na gestão de investimentos do Cais Mauá

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Operação investiga fraudes de antiga gestora do fundo Cais Mauá / Arquivo JÁ

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (19/4) a Operação Gatekeepers*, com o objetivo de combater fraudes relacionadas a fundos de investimento envolvidos na revitalização do Cais Mauá.

Conforme a PF, estão sendo cumpridos nove mandados de busca e apreensão (cinco em Porto Alegre/RS e quatro no Rio de Janeiro/RJ, inclusive na sede do Cais Mauá,), além de ordem de busca e apreensão de três veículos em Porto Alegre e bloqueio de ativos em nome de 20 pessoas físicas e jurídicas, sendo investigados crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e de lavagem de dinheiro. Os mandados foram expedidos pela 7ª Vara Federal de Porto Alegre. Até fevereiro o fundo era administrado pela ICLA Trust Serviços Financeiros S.A.

Em março as obras do Cais iniciaram após a troca dos gestores do fundo, o empresário João Carlos Mansur, presidente do grupo Reag, assumiu a gestão do projeto licitado em 2010 e desde então emperrado por demandas ambientais, problemas técnicos e questões políticas. Como presidente do novo Cais Mauá, foi nomeado o empresário Vicente Briscio.

A investigação teve origem em 2013, com a apuração de aportes feitos por um fundo de previdência privada gaúcho em um fundo de investimentos. Este último aplicava os valores em empresas de construção civil sem que houvesse a devida execução de obras públicas.

No decorrer da investigação, identificaram-se ligações do grupo com obras de revitalização urbana em Porto Alegre. São investigadas possíveis movimentações de recursos para pessoas ligadas à administração, inclusive com a aquisição de bens de alto valor, como veículos de luxo.

*Gatekeeper, além do significado em inglês, porteiro ou até mesmo guardião, também tem uso no mercado financeiro, estando ligado a pessoas ou instituições de credibilidade que atuam em processos de análise de conformidade, verificação e certificação.

Jornal Já

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O posicionamento da empresa: 

O Fundo de Investimento em Participações Cais Mauá do Brasil Infraestrutura era administrado pela ICLA Trust Serviços Financeiros S.A. até o dia 26 de fevereiro de 2018.

A nova administração do Fundo assumiu apenas em 26 de Fevereiro de 2018 e ainda estão em curso todas as diligências e verificações jurídicas e regulatórias necessárias, além de auditoria detalhada das contas do Fundo e da empresa desde que a nova administração assumiu o Fundo.



Categorias:Outros assuntos, Projeto de Revitalização do Cais Mauá

8 respostas

  1. PF FECHA O CERCO NAS FALCATRUAS DO CAIS MAUÁ
    e nós queremos o cais do porto revitalizado!

    Há anos muitos cidadãos e cidadãs lúcidos(as) de Porto Alegre, técnicos(as) de alto gabarito em diversas áreas, autoridades e coletivos urbanos vêm denunciando graves irregularidades no projeto do Consórcio Cais Mauá.

    Rosane Oliveira e outros jornalistas não cessam de atacar a estes cidadãos, chamando-os de caranguejos, inimigos do progresso e outras baixarias. Jornalismo sério e investigativo teria ido atrás das denúncias e chegado antes da Polícia Federal nos fatos que ora tornam-se públicos. Por que acobertam falcatruas, quando são denunciadas por cidadãos sérios? Por que insistem em atacar gente digna para apoiar a suspeitos e meliantes?

    Há muito mais a ser investigado e evidenciado pela PF. La Vue em Salvador, Lava Jato em todo o país, Consórcio Cais Mauá em Porto Alegre. Todos os que têm desdenhado as denúncias e tentado blindar o Consórcio são hoje suspeitos, e isso inclui ninguém menos que o atual presidente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, notório escudeiro do grupo hoje atingido pela Polícia Federal, e também uma conhecida figura de bastidores, de sobrenome armênio, sempre azeitando o avanço desta trama de irregularidades. Que a PF avance nesta investigação, e siga o caminho do $; ainda há de encontrar muita matéria penal.

    A cláusula que exigia carta de crédito de R$400M para habilitar o projeto vencedor da licitação inibiu severamente a disputa. Apenas um projeto concorreu, apresentado pelo mesmo grupo que formulou este critério e que jamais o cumpriu – nunca apresentaram a carta de crédito. Perdemos a alma virtuosa do capitalismo e da gestão pública – o concurso, a disputa ampla, a concorrência aberta. Em Puerto Madero, Buenos Aires (que não é nenhuma maravilha), concorreram 97 projetos, em um concurso internacional. Eis a escala de nossa tacanhez provinciana. As autoridades estaduais que fizeram vista grossa para esta inconsistência na qualificação de um grupo suspeito são igualmente suspeitas, e merecem severa investigação. Parece claro haver aí improbidade administrativa e crime de responsabilidade, além de outros delitos.

    Alterou-se o projeto, os espanhóis perceberam a precariedade e partiram, e o pouco de bom que havia foi sendo abandonado, com estranha complacência das autoridades públicas. Deveriam ser investigadas. Por que anuíram com a descaracterização do projeto? A passagem em nível da praça Brigadeiro Sampaio, p. ex., foi trocada por …sinaleira de pedestres! Há mais, muito mais.

    O capital e o projeto se alteraram, venderam no mercado especulativo a credencial para realizar a obra – na verdade, a autorização para remodelar uma das áreas mais importantes de Porto Alegre! Especuladores sem qualquer experiência em restauro do patrimônio, em arquitetura e urbanismo, puseram as mãos no projeto do Consórcio, bem defendido por autoridades suspeitas, e passaram a usá-lo para captar recursos e gastar em luxo indevido e outras malversações. É isso que a PF acaba de evidenciar.

    Sem recursos e sem projeto, mas cheios de ambição e costas quentes, puseram-se a buscar dinheiro agressivamente e, no ponto mais patético, avançaram na proposta de construir um camelódromo (!) na área mais nobre do patrimônio de Porto Alegre, um caça-níqueis de oitava categoria. Enquanto isso, enganam aos inocentes, com imagens falsas de um projeto que não se realizará.

    Os porto-alegrenses não fomos trouxas, pois muitos percebemos e denunciamos esta farsa e o circo de delitos que o cerca. O que houve foi um conluio doloso para nos impor toda esta porcariada. Atenção: seguem ativos muitos agentes deste ataque a Porto Alegre.

    Estamos perdendo um tempo dos diabos.
    Todos queremos desfrutar daquela área.
    Feira do livro, exposições de arte, vida cultural e social, desporto, lazer – há muito o que fazer ali. Basta abrir os portões e deixar a nova economia criativa e os empreendedores de verdade entrarem. Por muitos anos a área se degrada (e muito), abandonada e alienada da cidade. Chega, não queremos mais esta usurpação do destino do cais do porto!

    Quem nos faz perder este tempo precioso são os incompetentes e os que os acobertam. Figuras marcadas, inimigos do desenvolvimento da cidade, uns bananas que nada valem. Que a PF amplie o cerco e realize a merecida colheita.

    Recentemente, mudou novamente o capital gestor; dois dias antes de iniciarem-se as obras (!). Os novos credenciados têm a chance de virar esta página mórbida e, com todas as licenças que já têm em mãos, dar início ao restauro. Devem, todavia, afastar-se plena e claramente dos envolvidos nestas tramoias, e, especialmente, abandonar as ideias equivocadas daqueles amadores e o apoio inconfiável de gente suspeita. Se assim fizerem, terão a devida licença social – o apoio da cidade para realizar um objetivo precioso, que todos desejamos.

    A cidade quer esta obra, e pode colaborar com o sucesso do projeto. Será que afinal encontraremos uma saída para este drama de oitava categoria?

    QUEREMOS O CAIS DO PORTO RESTAURADO, COM PROBIDADE E QUALIDADE!

    Fonte: Francisco Marshall (Facebook)

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    • “Em Puerto Madero, Buenos Aires (que não é nenhuma maravilha)”.
      Quando alguém faz um comentário negativo de algo tomado como referência positiva eu tendo a ficar um pouco intrigado.
      Puerto Madero não ser “nenhuma maravilha” mesmo. Talvez esta pessoa também ache que a obra de Oscar niemeyer também não seja nenhuma maravalha, afinal pouco se preocupava com o conforto ambiental, sustentabilidade e custos de execução de seus projetos.
      Brasília talvez, para este cidadão, também não seja “nenhuma maravilha”, afinal em seu projeto foi pensada numa bolha elitizada permeada por superquadras para moradias dos vassalos tudo isolado no meio do planalto central. Nem a parte elitizada, nem as superquadras, nem o o isolamento saíram como planejados.
      Os templos gregos também não eram “maravilha nenhuma”, pois em muitos casos eram super estruturas da época apenas para abrigar uma estátua de um Deus e nada mais, sem nenhuma função direta às camadas mais pobres e isoladas da Grécia Antiga.

      Mesmo diante de pontos discutíveis, algumas obras ainda apresentam um aspecto positivo que supera de longe os negativos. Superam de tal maneira que, quando nos referimos a este aspecto negativo devemos citar e exemplificar qual seria para não cair no discurso vazio do criticar por criticar.
      Puerto Madero que, embora seja qualificado pelo cidadão como “nenhuma maravilha” cumpre de maneira exemplar aquilo para o qual se propôs desde o projeto – reurbanizar e revitalizar de maneira sustentável uma área abandonada, degradada, poluída e violenta da Cidade de Buenos Aires.
      Lembro que Puero Madero não são apenas armazéns restaurados. Trata-se de um bairro inteiro reprojetado com parques, ruas praças, arranha-céus construídos a partir do zero e que se mantém economicamente. Estas ruas, praças, parques, bares cafés, fast foods, universidades, escolas, museus, postos policiais, quadras esportivas, centro cultural, porto de embarque de catamarãs, rede de esgoto, etc. estão à disposição e livre acesso de TODA a população do país e dos inúmeros turistas que visitam Buenos Aires. Trata-se de uma cidade dentro da cidade. Obviamente, como toda cidade, tem seus problemas também e estes devem ser (re)pensados de modo a que sejam superados.
      Além do mais o fator de inovação, em se tratando de América Latina dos anos 90, confere a este projeto o caráter de referência em como se projetar, executar e administrar em sua época.
      Certamente uma “nenhuma maravilha” destas seria muito bem vinda em qualquer grande cidade do nosso país.

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  2. Quem quer ver o Cais depois da revitalização pesquise “Estaçoes da doca” em belém.

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  3. Tá explicado porque essa revitalização tá emperrada a tantos anos. É só cortina de fumaça pros ditos “investidores” fazerem falcatrua.

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    • Pois é, e a próxima conjectura é; em que termos essa passada de bastão pra REAG investimentos se deu? Como foi esse processo? Se o fundo anterior estava lavando grana e com isso “viabilizando” a obra, como aquele fundo convenceu a REAG a assumir o negócio? Afinal, é um negócio economicamente viável considerando-se os mesmos valores que irão ou iriam ser investidos na obra, ou a REAG repensou integralmente a obra, diminuindo consideravelmente o investimento inicial? Publicamente, ela já anunciou cortes no projeto original, e segundo o meu feeling, continuo apostando que SE a obra sair do papel, ela não passará de repaginadas nos armazéns e uma ou duas pracinhas verdes. Se a obra sair do papel. tudo está cada vez mais nebuloso.

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  4. Quando no último segundo trocaram o fundo de investimentos sem quaisquer explicações e pegando todo mundo de surpresa, é por que havia algo muito errado. A conclusão é que, no Brasil, a pilantragem tomou conta. Felizmente apareceu uma equipe de delegados insurgentes na PF, chamada tarefa Lava-Jato. Até então, isso aqui era o playground dos nossos “representantes” eleitos. A melhor coisa que aconteceu no Brasil nos últimos 30 anos foi a implementação da delação premiada.

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  5. Brasil… O Brasil brasileiro… do bostandarte estradeiro…

    Nada mais à declarar!

    Adeus Porto ex-Alegre!

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  6. Ótima e péssima notícia… Um projeto que tem como ideal revitalizar uma área que suplicava por mudanças. Uma região que tem um potencial enorme, econômico, cultural e social.
    É frustrante que pessoas, de ambas as esferas públicas e privadas ceifem a esperança por renovação de formas tão desleais.

    No mais, que ótimo que a PF deflagre operações desse tipo, que todos sejam punidos, independente de partido.

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